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sábado, 27 de agosto de 2011

OTÁVIO MANGABEIRA

Otávio Mangabeira nasceu em Salvador, Bahia, há exatos 125 anos, em 27 de agosto de 1886.

Engenheiro, professor e político, foi Governador da Bahia e membro da Academia Brasileira de Letras.

Filho de Francisco Cavalcanti Mangabeira e Augusta Mangabeira, estudou em Salvador, onde formou-se na então Escola Politécnica, onde mais tarde veio a ser professor de Astronomia.

Em 1908 elege-se vereador da capital, iniciando assim uma longa carreira política.

Em 1912 é eleito deputado federal e, em 1926, no Governo Washington Luís, é nomeado Ministro do Exterior.

Em 1930 é eleito para a Academia Brasileira de Letras, sendo o quarto ocupante da cadeira que tem por patrono José de Alencar.

Exilado, volta ao Brasil somente em 1937.

O Estado Novo força-o novamente a exilar-se, retornando apenas com a redemocratização, elegendo-se Deputado Constituinte em 1945.

Foi um dos fundadores e primeiro presidente do partido da UDN - União Democrática Nacional, elegendo-se em seguida Governador da Bahia.

Tomando posse a 10 de abril de 1947, exerceu o governo até 31 de janeiro de 1951 - primeiro governador eleito após a Era Vargas.

No seu secretariado, buscou Mangabeira resgatar as maiores inteligências da Bahia, como Anísio Teixeira (Secretário de Educação), Albérico Fraga (Interior e Justiça), Nestor Duarte (Agricultura), Dantas Júnior, Yves de Oliveira, dentre outros.

Após o governo é novamente Deputado Federal e, em 1958, elege-se Senador, falecendo durante o mandato, no Rio de Janeiro, aos 74 anos, em 29 de novembro de 1960.

Otávio Mangabeira


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A RENÚNCIA



"Ao Congresso Nacional.

Nesta data, e por este instrumento.

Deixando com o Ministro da Justiça.

As razões de meu ato.

Renuncio ao mandato de Presidente da República.

Brasília, 25.8.61."



 
Fui vencido pela reação e assim deixo o governo.

Nestes sete meses cumpri o meu dever.

Tenho-o cumprido dia e noite, trabalhando infatigavelmente, sem prevenções, nem rancores.

Mas baldaram-se os meus esforços para conduzir esta nação, que pelo caminho de sua verdadeira libertação política e econômica, a única que possibilitaria o progresso efetivo e a justiça social, a que tem direito o seu generoso povo.

Desejei um Brasil para os brasileiros, afrontando, nesse sonho, a corrupção, a mentira e a covardia que subordinam os interesses gerais aos apetites e às ambições de grupos ou de indivíduos, inclusive do exterior.

Sinto-me, porém, esmagado.

Forças terríveis levantam-se contra mim e me intrigam ou infamam, até com a desculpa de colaboração.

Se permanecesse, não manteria a confiança e a tranquilidade, ora quebradas, indispensáveis ao exercício da minha autoridade.

Creio mesmo que não manteria a própria paz pública.

Encerro, assim, com o pensamento voltado para a nossa gente, para os estudantes, para os operários, para a grande família do Brasil, esta página da minha vida e da vida nacional.

A mim não falta a coragem da renúncia.

Saio com um agradecimento e um apelo.

O agradecimento é aos companheiros que comigo lutaram e me sustentaram dentro e fora do governo e, de forma especial, às Forças Armadas, cuja conduta exemplar, em todos os instantes, proclamo nesta oportunidade.

O apelo é no sentido da ordem, do congraçamento, do respeito e da estima de cada um dos meus patrícios, para todos e de todos para cada um.

Somente assim seremos dignos deste país e do mundo.

Somente assim seremos dignos de nossa herança e da nossa predestinação cristã.

Retorno agora ao meu trabalho de advogado e professor.

Trabalharemos todos.

muitas formas de servir nossa pátria.



Brasília, 25 de agosto de 1961.

Jânio Quadros.

 

Há exatos 50 anos...

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

VINCENZO LANCIA

Vincenzo Lancia nasceu na pequena aldeia de Fobello, há exatos 130 anos, em 24 de agosto de 1881, próximo a Turim, na Itália.

Notabilizou-se como piloto, engenheiro e fundador da fábrica de automóveis Lancia.

Vincenzo Lancia era o caçula de quatro filhos.

Seu pai era um industrial que trabalhou na Argentina antes de retornar a Turim para abrir o seu próprio negócio.

Desde cedo, educou Vincenzo com números, desenvolvendo no garoto um interesse em máquinas e em engenharia.

Enriqueceu seus conhecimentos tornando-se um aprendiz de Giovanni Battista Ceirano, um importador de bicicletas e um dos pioneiros da indústria automobilística italiana, em Turim.

Na companhia de Ceirano também desenvolveu suas habilidades em design, engenharia e construção, e desenvolveu paciência, perseverança e determinação.

Conheceu o conde Carlo di Biscaretti Ruffia, que possuía uma Benz, em fevereiro de 1899, de quem rapidamente se tornou amigo.

Lancia, no entanto, passou a ser inspetor chefe e piloto de testes da Fiat, com apenas dezenove anos.

Sua condução dos veículos impressionava seus patrões na Fiat.

Lancia foi convidado a dirigir seus carros em corridas, conseguindo sua primeira vitória foi em 1900, na segunda corrida pela Fiat.

Vincenzo Lancia constituiu sua própria fábrica de automóveis em 29 de novembro de 1906, em sociedade com Claudio Fogolin.

Seu primeiro carro foi construído em 1907, o 12 HP Alfa.

O modelo era dotado de um motor de quatro cilindros, que girava a 1800 rotações por minuto (um regime alto para a época), e alcançava velocidade de 90 km/h.

Lancia produziu modelos inovadores como o Lambda e o Aprilia.

Vincenzo Lancia faleceu de ataque cardíaco em 15 de fevereiro de 1937, pouco antes da Aprilia ser lançada em plena produção.

Contava com a idade de 55 anos.

Sua esposa, Adele Miglietti Lancia, e seu filho, Gianni Lancia, continuaram a gestão da fábrica de automóveis até o ano de 1955.

A Lancia sofreu muito com a grave situação financeira que tem atraversado o Grupo Fiat entre 2000 e 2004.

Atualmente, o modelo mais refinado da marca é o Lancia Thesis.

Os outros modelos são o Lancia Ypsilon, o Musa e o Lancia Phedra, modelo que compartilha a plataforma com o Fiat Ulysse.

Em setembro de 2006, a Lancia apesentou a Lancia Delta.

A Lancia conserva a ambição de querer ser a alternativa italiana à Mercedes-Benz, e à luz do seu prestigioso passado, é uma fábrica merecedora de esforços e investimentos mais consideráveis.

Vincenzo Lancia

terça-feira, 23 de agosto de 2011

RAMIRO BARCELOS

Ramiro Fortes de Barcelos nasceu em Cachoeira do Sul-RS, há exatos 160 anos, em 23 de agosto de 1851.

Político, escritor, jornalista e médico, era filho de Vicente Loreto de Barcellos e de Joaquina Idalina Pereira Fortes.

Ramiro Bacellos cursou o secundário na Escola Pública de Cachoeira do Sul, vindo a concluir o curso em Porto Alegre.

Cursou a Faculdade de Medicina no Rio de Janeiro.

Distinguiu-se como aluno na palavra e na escrita.

Escreveu e publicou artigos na Revista Médica.

Sua tese de doutoramento foi Alianças consanguíneas e sua influência sobre o físico, o moral e o intelectual do homem.

Concluída a faculdade, retornou a Cachoeira do Sul para casar-se com sua prima, Maria José Gomes.

Após o casamento, viajou para a Europa, passando pela Inglaterra, França e Alemanha, onde Ramiro fez curso de aperfeiçoamento.

Ao retornar ao Rio Grande do Sul, voltou à sua terra.

Seguiu para Porto Alegre, sendo convidado para trabalhar na Santa Casa de Misericórdia como chefe do serviço de cirurgia e, mais tarde, como seu provedor.

Ramiro Barcellos e Maria José Gomes tiveram três filhos: Emma, Júlia e Dora.

Em 1900, Maria José faleceu.

Passados três anos, Ramiro casou-se novamente.

Com sua segunda esposa, Lucilia Gomes, natural de Pelotas, teve mais dois filhos: Petrônio e Nora.

Além de médico, Ramiro Barcellos foi político e jornalista.

Exerceu os cargos públicos de Ministro Plenipotenciário no Uruguai durante a Revolução Federalista, Secretário da Fazenda, Procurador do Estado do Rio Grande do Sul, no Rio de Janeiro, e Superintendente das Obras da Barra de Rio Grande.

Exerceu os mandatos de Deputado Provincial nos períodos de 1877 a 1878, 1879 a 1880 e 1881 a 1882.

Elegeu-se Senador da República pelo Rio Grande do Sul de 1890 a 1899 e de 1900 a 1906.

Ramiro Barcellos foi contemporâneo, correligionário e amigo de Júlio de Castilhos, Borges de Medeiros e Pinheiro Machado.

Colaborou com o jornal A Federação, desde seu primeiro número, no qual escreveu Cartas a d. Izabel, com o pseudônimo de Amaro Juvenal, que continuou sendo utilizado em poemas satíricos.

No fim da vida rompeu com seu primo Borges de Medeiros, quando este, chefe absoluto da política no Rio Grande do Sul, apoiou a candidatura do Marechal Hermes da Fonseca a Senador da República e não a sua candidatura.

Ramiro considerou ato como uma traição ao partido que ambos pertenciam.

O que certamente mais literariamente notabilizou Ramiro Barcellos foi o Poemeto Campestre, hoje considerado uma jóia da literatura gaúcha, elaborado entre 1910 e 1915, em razão da briga política contra Borges de Medeiros, então Presidente do Estado, ali retratado como Antônio Chimango.

Antônio Chimango, hoje já com mais de vinte edições, teve sucesso extraordinário, e é considerada uma obra-prima pelo seu sarcasmo e genuíno cunho gauchesco.

Ramiro Barcellos faleceu aos 64 anos, em 28 de janeiro de 1916, em Porto Alegre.

Ramiro Barcelos

sábado, 20 de agosto de 2011

SLOBODAN MILOSEVIC

Slobodan Milošević nasceu em Požarevac, na Sérvia, há exatos 70 anos, em 20 de agosto de 1941.

Foi presidente da Sérvia entre 1989 e 1997, e da República Federal da Iugoslávia, entre 1997 e 2000.

Também foi o principal líder do Partido Socialista da Sérvia desde a sua fundação, em 1990.

Slobodan Milošević nasceu no seio de uma família abastada.

Em 1953, afiliou-se à Liga dos Comunistas da Iugoslávia, nome como ficou conhecido o Partido Comunista da Iugoslávia a partir de 1952.

Estudou Direito na Universidade de Belgrado, formando-se em 1964, e iniciou sua atividade profissional na administração da República Socialista da Sérvia, mais precisamente em Belgrado, como assessor do prefeito e como chefe do serviço de informação do município.

Em 1965, casou-se com Mirjana Markovic, que ocupava o cargo de professora de Teoria Marxista na Universidade de Belgrado.

Em 1968, passou para o mundo empresarial, onde ocupou diversos cargos em empresas de autogestão.

Começou a trabalhar na companhia energética estatal (Technogas), da qual foi nomeado diretor-geral em 1973.

Em 1978, ascendeu para a direção do maior banco iugoslavo, o Beogradska Banka (Banco de Belgrado).

Com a morte de Tito (1980), Milošević começou a entrar paulatinamente na política.

Apesar de aparecer como um homem introvertido e orador sem carisma, em 1983 é eleito para presidir o Comitê Central do Partido Comunista da Sérvia, cargo para o qual é reeleito em 1986 e 1988.

Em maio de 1989, é eleito Presidente da República Iugoslava da Sérvia.

Este rápido percurso, que, em sete anos, levou-o de mero técnico da administração a Presidente da Sérvia surpreendeu a todos.

Milošević possuía um perfil burocrata.

Em 1988, agrava a tensão dentro das fronteiras da Sérvia, principalmente com a Eslovênia.

Milošević passa a desfrutar de um enorme apoio popular.

Tem o apoio da Igreja Ortodoxa Sérvia.

Sua rápida ascensão política coincidiu com a radicalização do nacionalismo, que teve lugar na sociedade sérvia, no momento em que o comunismo soviético perdia força.

Em 1989 decide transformar o Partido Comunista em Partido Socialista da Iugoslávia.

Sob sua direção, teve início uma afirmação institucional da identidade sérvia, em detrimento das demais populações minoritárias.

Em junho de 1989, em plena efervescência nacionalista, Milošević se apresentou em Kosovo perante uma multidão de um milhão de sérvios e pronunciou o famoso Discurso de Gazimestan, uma celebração do nacionalismo sérvio que trouxe sérias consequências.

Em janeiro de 1990, realiza-se o décimo quarto e último Congresso da Liga dos Comunistas da Iugoslávia.

O fosso entre a Sérvia e a Eslovênia já era incurável, principalmente por causa da intransigência de Milošević.

Milan Kucan, que lidera os eslovenos, decidiu retirar a delegação de seu país do Congresso.

O mesmo seria feito imediatamente pelo croata Ivica Račan.

É o fim da política federal e multiétnica da Iugoslávia.

Em junho de 1990, Milošević renomeia a Liga dos Comunistas da Sérvia em Partido Socialista da Sérvia, do qual é eleito presidente.

Após a realização de referendos em junho de 1991, Croácia e Eslovênia proclamam sua independência.

No contexto da desintegração da Iugoslávia e das guerras que ali ocorreram contendo episódios de ataques deliberados contra civis que foram classificados como crimes contra a humanidade, genocídio e limpeza étnica, e da responsabilidade que tinha Milošević por ser o presidente da Sérvia, foi chamado, por alguns meios de comunicação, por grande parte da opinião pública ocidental e pelos adversários políticos, de o Carniceiro dos Bálcãs.

O Exército Federal intervém na Eslovênia.

Milošević não tem interesse no país, etnicamente compacto e apoiado pela Áustria e Alemanha.

A atenção de Milošević se move ao longo de toda a Croácia, em especial nas regiões habitadas por sérvios.

Seu plano é anexar os territórios sérvios da Croácia e uma boa parte da Bósnia e Herzegovina, criando assim uma "Grande Sérvia".

No segundo semestre de 1991, Milošević, o exército federal iugoslavo e tropas paramilitares começaram uma guerra violenta contra a Croácia.

O exército iugoslavo penetra profundamente em território croata, chegando a ameaçar Zagreb.

Neste contexto, fez um pacto com o Presidente croata, Franjo Tudjman, para a partição da Bósnia (já orientada para a independência) entre sérvios e croatas.

Em abril de 1992, a Bósnia e Herzegovina declarou sua independência.

Passam a surgir episódios de violência e Milošević parte em defesa dos sérvios, minoritários na república separatista.

Milošević apoia militar e politicamente Radovan Karadzic, líder dos sérvios da Bósnia, que mancha o pais com crimes de guerra.

Na oposição, algumas vozes começam a levantar-se contra a ameaça nacionalista (Círculo de Belgrado), mas em dezembro de 1992, Milošević é novamente reeleito como presidente, desta vez nas eleições com sufrágio universal.

A Guerra da Bósnia culmina com o massacre de Srebrenica em julho de 1995, perpetrado pelas forças sérvias contra os bósnios muçulmanos, precipitando a intervenção da OTAN.

A guerra civil dura mais de três anos, tendo o exército de Milošević praticado todo o tipo de atrocidades contra bósnios, croatasmuçulmanos, naquele que foi o mais sangrento conflito europeu pós-Segunda Guerra Mundial.

A saída militar sérvia da condução desses eventos, e os Acordos de Dayton em dezembro de 1995 põem fim à guerra na Bósnia e Herzegovina e na Croácia.

Em outubro de 1995, Milošević é proibido de entrar nos Estados Unidos.

As eleições municipais de 1996 foram denunciadas por alguns segmentos como fraudulentas, o que desencadeou uma grande onda de protestos, com manifestações diárias em Belgrado, durante o mês de dezembro até o início de 1997.

Ódios seculares expostos, coube a Milošević e à Sérvia o papel de causadores do conflito.

Com isto, a nação é isolada da comunidade internacional.

Terminado o conflito da Bósnia, os habitantes de maioria albanesa na província de Kosovo entram em conflito com milicianos sérvios autônomos, com o apoio implícito de Milošević.

Em maio do mesmo ano, quando a guerrilha já controla cerca de 40% do país, Milošević concorda em negociar com os kosovares.

No ano seguinte, Estados Unidos e União Europeia forçam os dois lados a retomar negociações na Conferência de Rambouillet.

A Iugoslávia rejeita a proposta de maior autonomia para a província seguida pelo envio de uma força de paz internacional.

Assim, o país é bombardeado por forças da OTAN em 1999, incluindo áreas muito longe da zona de conflito, como Belgrado e Novi Sad.

Dezenas de milhares de civis inocentes são mortos.

Boa parte da infra-estrutura civil e militar do país é destruída, o Kosovo passa a ser administrado pela ONU, mas Milošević tenta passar uma imagem de salvador da Sérvia.

A crise aumenta no país, até culminar com sua derrota nas eleições de 1999.

Milošević recusa-se a aceitar o resultado das urnas, e o mesmo povo que treze anos antes o levara ao poder exige sua deposição, em outubro de 2000.

Milošević é deposto e passa para a clandestinidade.

Em 2001, o Tribunal Penal Internacional em Haia solicitou a detenção de Milošević ao governo formado depois do golpe de estado do ano anterior, que levara ao poder Vojislav Koštunica, apesar da Iugoslávia ainda não ter reconhecido formalmente a jurisdição deste tribunal.

Em 28 de junho de 2001, Milošević foi preso em seu país e transferido para Haia, sem que fosse sequer julgada sua extradição, como mandava a legislação penal iugoslava.

Em troca, o presidente americano George W. Bush libera verbas para a reconstrução do país.

Em Haia, teve início o processo criminal contra Milošević no Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia, em que é acusado por crimes de guerra, contra a humanidade e genocídio, cometidos durante a Guerra Civil Iugoslava.

Na sequência da transferência de Milošević, a acusação original de crimes de guerra no Kosovo foram atualizados pela adição de acusações de genocídio na Bósnia e crimes de guerra na Croácia.

O julgamento começou em Haia, em fevereiro de 2002, com Milošević se defendendo enquanto se recusava a reconhecer a legalidade da competência do tribunal.

Milošević foi encontrado morto em sua cela em 11 de março de 2006, no centro de detenção do tribunal penal em Scheveningen, em Haia.

O Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia disse que ele sofria do coração e pressão alta.

Seu julgamento era esperado para retomar três dias depois com o depoimento do ex-presidente de Montenegro, Momir Bulatovic.

O tribunal tinha rejeitado recentemente um pedido de tratamento médico na Rússia.

Milošević planejava apelar da decisão, argumentando que sua condição tinha piorado.

Sua morte por causas naturais foi anunciada pelo Partido Socialista da Sérvia, mas seu advogado, Zdenko Tomanovic, afirmou que Milošević suspeitava às vésperas de sua morte, que estava sendo envenenado, e, por isso, exigiu que a autópsia fosse realizada na Rússia, em vez da Holanda.

O pedido foi rejeitado e seu corpo foi levado para o Instituto Forense Holandês, que autorizou a presença de um patologista de Belgrado.

O relatório final do inquérito concluiu que Milošević morreu de causas naturais, descartando a presença de qualquer substância que poderia provocar um problema cardíaco.

O Tribunal negou qualquer responsabilidade sobre a morte de Milošević, alegando que ele se recusara a tomar os medicamentos que lhe foram receitados, e preferiu medicar-se por conta própria.

Slobodan Milošević

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

JÂNIO E CHE: A GOTA D'ÁGUA

Entre os muitos episódios que marcaram a vida de Che Guevara, seu encontro com o presidente Jânio Quadros é, talvez, um dos menos conhecidos ou documentados.

Os relatos de seus biógrafos são coincidentes em sua brevidade e escassez de detalhes.

Ainda assim, sua visita-relâmpago ao Brasil, foi considerada por muitos polemistas da época e jornalistas sensacionalistas de plantão, como, possivelmente, a gota d’água para a renúncia de Jânio, dali a seis dias.

O então Ministro das Indústrias de Cuba acabava de partir do Uruguai, após vários dias de acalorados debates na reunião do CIES (Conselho Interamericano Econômico e Social, um órgão da OEA), em Punta del Este, onde cumprira uma agenda cheia (naquele balneário e em Montevidéu) de discursos, reuniões políticas, coquetéis e entrevistas para a imprensa estrangeira.

Guevara estava exausto, mas antes de retornar a Havana, ainda tinha dois compromissos importantes: encontrar-se secretamente com o presidente Frondizi, na Argentina e em seguida, partir para o Brasil, onde seria recebido pelo primeiro mandatário do país, Jânio Quadros.

O turbo-hélice quadrimotor Bristol Britannia, da Cubana de Aviación pousou na Base Aérea de Brasília às 23:30 horas, do dia 18 de agosto de 1961.

Destacado para receber o revolucionário argentino, o então deputado federal José Sarney acabou não permanecendo no local para a sua chegada, por causa dos sucessivos atrasos no vôo da delegação da ilha caribenha.

Assim, a tarefa ficou a cargo do diplomata Carlos Alberto Leite Barbosa, que recepcionou o ilustre convidado e o levou imediatamente, junto com sua comitiva de quarenta e cinco pessoas (vinte das quais eram seguranças), para o Brasília Palace Hotel, onde ocupariam um andar inteiro.

Che demonstrava cansaço, especialmente porque no dia anterior sofrera um forte ataque de asma em Montevidéu.

Passou parte da noite conversando em sua suíte com o então fotojornalista do jornal O Estado de São Paulo, Raymond Frajmund, e um grupo de amigos, e depois foi descansar.

Às seis horas da manhã do dia seguinte teria de levantar e seguir diretamente para a Praça dos Três Poderes, onde saudaria a bandeira e passaria em revista às tropas.

Enquanto isso, vários oficiais da Guarda Presidencial, indignados com a presença do dirigente comunista, se rebelavam.

Não queriam participar do evento programado.

O clima era de tensão.

Após grande esforço dos oficiais mais graduados, por toda a madrugada, a situação foi resolvida a tempo, e tudo transcorreu como planejado.

Eram sete horas da manhã do dia 19 de agosto de 1961, há exatos 50 anos, quando Che Guevara, em seu tradicional uniforme verde-oliva, era recebido com honras militares.

Mesmo aparentando certo desconforto com a cerimônia, ouviu os hinos nacionais dos dois países e bateu continência à bandeira, diante dos soldados enfileirados (os oficiais responsáveis pela tropa, por sua vez, se recusaram a se perfilar diante do Che).

Dezoito minutos depois, já estava no Salão Verde do Palácio do Planalto, onde foi acolhido com entusiasmo por Jânio.

Aquela não era a primeira vez que os dois se encontravam.

Jânio havia visitado Cuba no final de março e início de abril de 1960, a convite de Fidel Castro, quando ainda era candidato à presidência.

Enquanto Fidel, cauteloso, se esquivava de algumas perguntas, respondendo com evasivas, Guevara fez questão de declarar a Jânio, com todas as letras, que ele era marxista-leninista, uma franqueza que impressionou bastante o visitante.

Agora era a vez de Che visitar seu colega em Brasília.

A viagem de Guevara à capital brasileira fora decidida pouco tempo antes e era basicamente de cortesia, com caráter protocolar.

Quando Che ia à reunião da OEA, no Uruguai, fez breve escala no aeroporto do Rio de Janeiro, onde recebeu o convite de João Dantas, em nome de Jânio (há quem diga que o convite teria partido do então ministro Clemente Mariani).

O encontro serviria, supostamente, para estreitar os laços de amizade entre os dois países.

E também para discutir a situação e o destino de cento e sessenta e oito exilados cubanos, que se encontravam na residência da Embaixada Brasileira em Havana.

O ato mais importante e simbólico da visita, contudo, seria a condecoração de Che com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, a mais alta comenda do governo.

Na verdade, a decisão de condecorar Guevara foi abrupta.

Como o Itamaraty (e sua divisão de cerimonial) na época ainda ficava no Rio (em Brasília só havia um escalão avançado, com o gabinete do chanceler), foi necessário mandar buscar, às pressas, a medalha na antiga capital.

O chefe do cerimonial, Câmara Canto (mais tarde embaixador do Brasil no Chile, durante o golpe de Pinochet), providenciou para que fosse levada a tempo a Brasília, num Caravelle da Cruzeiro do Sul.

Numa cerimônia com poucas pessoas, Jânio colocou a insígnia no comandante e seguiu então para uma conversa reservada com ele em seu gabinete.

O gesto, aparentemente singelo, foi considerado imperdoável para alguns setores das Forças Armadas.

É verdade que outros dignitários cubanos já haviam recebido aquela comenda, anos antes, como Osvaldo Dorticós e Raúl Roa.

Até mesmo o cosmonauta soviético Yuri Gagarin ganhara uma condecoração, a Ordem do Mérito Aeronáutico, apenas dezesseis dias antes.

Mas agora, as coisas eram diferentes.

A situação, desta vez, não permitia tamanha ousadia.

Os Militares não perdoariam Jânio por isso.

Alguns deles até ameaçaram devolver suas próprias condecorações em protesto.

O clima esquentara também com o Governador da Guanabara, Carlos Lacerda.

Algumas horas antes da chegada de Che a Brasília, Lacerda se encontrara com Jânio e ficara extremamente irritado ao saber da condecoração.

Ele iria entregar as chaves do Rio de Janeiro, logo depois, ao contra-revolucionário anticastrista cubano Manuel Varona.

Após uma reunião fechada com Jânio, Guevara conversou com jornalistas e, junto com o encarregado de negócios de Cuba e alguns membros de sua delegação, foi para um almoço com o Prefeito do Distrito Federal, Paulo de Tarso, na residência oficial do Riacho Fundo.

Em seguida, deu uma volta de helicóptero sobre a capital e seguiu para a Base Aérea.

Seu avião decolou às 15 horas com destino a Havana.

A visita de Che durou menos de dezesseis horas, mas passou como um furacão.

A condecoração de Guevara foi a última solenidade de Jânio no Palácio do Planalto.

Seis dias depois, ele renunciava.

Os Militares, por sua vez, depois do Golpe de 1964, em outro gesto simbólico, iriam retirar aquela comenda do famoso revolucionário.

Jânio condecora Che Guevara com a
Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, há exatos 50 anos.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

PIERRE DE FERMAT

Pierre de Fermat foi um matemático e cientista francês nascido em Beaumont-de-Lomagne, há exatos 410 anos, em 17 de agosto de 1601.

Seu pai, Dominique de Fermat, era um rico mercador de peles e lhe propiciou uma educação privilegiada, inicialmente no Mosteiro Franciscano de Grandselve e depois na Universidade de Toulouse.

Ingressou no serviço público em 1631.

Em 1652, Fermat foi promovido para Juiz Supremo na Corte Criminal Soberana do Parlamento de Toulouse.

A influência de Pierre de Fermat foi limitada por sua falta de interesse em publicar suas descobertas, que são conhecidas principalmente pelas cartas a amigos e anotações particulares.

Suas cartas sugerem que era um homem envergonhado e reservado, cortês e afável, mas um pouco distante.

Estas cartas passaram a ser publicadas a partir de 1636, por intermédio do padre Mersenne, em Paris, que procurou Fermat após ouvir falar dele.

Em suas cartas, Fermat descrevia suas ideias, descobertas e até pequenos ensaios, que eram repassados por Mersenne a outros matemáticos da Europa.

Afeito a trocar e resolver desafios, travou diversas polêmicas com René Descartes.

Fermat inventou a Geometria Analítica em 1629 e descreveu suas idéias em um trabalho não publicado intitulado Introdução aos lugares geométricos planos e sólidos, que circulou apenas na forma de manuscrito.

Neste trabalho Fermat introduziu a ideia de eixos perpendiculares e descobriu as equações gerais da reta, circunferência e equações mais simples para parábolas, elípses e hipérboles, e depois demonstrou que toda equação de primeiro e segundo grau pode ser reduzida a um desses tipos.

Considerado o "Príncipe dos Amadores", Pierre de Fermat nunca teve formalmente a Matemática como a principal atividade de sua vida.

Jurista e magistrado por profissão, dedicava à Matemática apenas suas horas de lazer e, mesmo assim, foi considerado por Blaise Pascal o maior matemático de seu tempo.

Contudo, seu grande gênio matemático perpassou várias gerações, fazendo com que várias mentes se debruçassem com respeito sob o seu legado, que era composto por contribuições nas mais diversas áreas das matemáticas, entre elas o cálculo geométrico e infinitesimal, a teoria dos números e a teoria da probabilidade.

No entanto, se ele era um amador, então era o melhor deles, devido à precisão e à importância de seus estudos, que, diga-se ainda, estavam sendo realizados longe de Paris, o único centro que abrigava grandes matemáticos como Blaise Pascal, Gassendi, Mersenne, entre outros.

As contribuições de Fermat para o cálculo geométrico e infinitesimal são inestimáveis.

Ele obtinha, com seus cálculos, a área de parábolas e hipérboles e determinava o centro de massa de vários corpos.

Em 1934, Louis Trenchard Moore descobriu uma nota de Isaac Newton dizendo que seu cálculo, antes tido como de invenção independente, fora baseado no “método de monsieur Fermat para estabelecer tangentes”.

Foi a primeira pessoa a enunciar o pequeno teorema de Fermat, embora a primeira pessoa a publicar a prova do teorema foi Leonhard Euler, em 1736, no artigo "Theorematum Quorundam ad Números Primos Spectantium Demonstratio".

Contudo, o que mais interessava a Fermat, na verdade, era um ramo da Matemática chamado teoria dos números, que tem poucas aplicações práticas claras.

É da teoria dos números seu famoso teorema, conhecido como Último Teorema de Fermat, que desafiou matemáticos por todo o mundo durante 358 anos, demonstrado apenas em 1995, por um matemático britânico que utilizou conceitos avançadíssimos, com os quais Fermat nem poderia ter sonhado em utilizar.

Outra contribuição importante de Fermat se insere na Teoria da Probabilidade.

Seus avanços nesta área deram-se por volta de 1654, quando passou a trocar cartas com Pascal.

Entre outras contribuições à Matemática, coube a Fermat a entronização de eixos perpendiculares, a descoberta das equações da reta e da circunferência, e as equações mais simples de elipses, parábolas e hipérboles.

Pierre de Fermat faleceu aos 63 anos, na comuna francesa de Castres, em 12 de janeiro de 1665.

Pierre de Fermat

terça-feira, 16 de agosto de 2011

CORDEIRO DE FARIAS

Osvaldo Cordeiro de Farias nasceu em Jaguarão, no Rio Grande do Sul, bem próximo à fronteira com o Uruguai, há exatos 110 anos, em 16 de agosto de 1901.

Militar, revolucionário e político brasileiro, foi interventor federal (governador) do Rio Grande do Sul e governador eleito de Pernambuco.

Esteve presente em todos os acontecimentos políticos do Brasil a partir de 1922 até 1966, quando se retira da vida pública.

Era filho de Joaquim Barbosa Cordeiro de Farias, militar que foi transferido para o Rio Grande do Sul visando trabalhar na pacificação da Revolução Federalista e que lá permaneceu por alguns anos.

Em 1906, com a transferência de seu pai para o Rio de Janeiro, foi matriculado no Colégio Militar, onde realizou todos seus estudos.

Sentou praça aos dezesseis anos na Quarta Companhia de Infantaria no Rio.

Em 1917, ingressou na Escola Militar do Realengo, sendo, dois anos depois, declarado oficial de artilharia.

Seria ainda promovido, em sua carreira militar, segundo-tenente (1920), primeiro-tenente (1921), capitão (1930), major (1931), tenente-coronel (1933), coronel (1939) e general-de-brigada (1942).

Cordeiro de Farias fez curso de observador aéreo na Escola de Aviação Militar, aperfeiçoamento de oficiais na Escola de Armas, cursou a Escola Superior de Guerra e estagiou na Escola do Estado Maior do Exército Americano.

Cordeiro de Farias participou das conspirações que precederam a deflagração do levante armado de julho de 1922 contra o governo federal, que deu início ao ciclo de revoltas tenentistas.

Fazia curso de observador aéreo na Escola de Aviação Militar e foi incumbido de fabricar bombas caseiras a serem atiradas dos aviões.

Apesar de não ter participado diretamente dos combates, acabou sendo preso por três meses na Fortaleza São João, no Rio de Janeiro.

Em seguida, no mesmo ano, foi transferido, sucessivamente, para Santa Maria, Rio Pardo e São Gabriel.

Em outubro de 1924 participou do levante tenentista deflagrado em Uruguaiana, liderado por Honório Lemes.

No mês seguinte, derrotado pelas forças de Flores da Cunha, recuou com trinta homens em direção à fronteira com a Argentina, onde acabou por se exilar.

Lá conheceu outros tenentes revolucionários, a exemplo de João Alberto e Antônio de Siqueira Campos.

Juntos se dirigem para o Rio de Janeiro, em seguida descendo ao Rio Grande do Sul, onde se juntou aos demais contingentes rebeldes do estado, reunidos sob a liderança de Luís Carlos Prestes e Miguel Costa.

Os rebeldes gaúchos acabariam se retirando para o estado do Paraná, onde se juntaram aos remanescentes do levante deflagrado em São Paulo.

Da unificação desses dois grupos nasceu em 1925 a Coluna Prestes, exército rebelde que, sob o comando do militar gaúcho que lhe deu o nome, promoveu, nos dois anos seguintes, uma guerra de movimento pelo interior do país contra as tropas fiéis ao governo federal.

O movimento chegou a transpor as fronteiras do Paraguai, voltando em seguida a adentrar o território brasileiro.

Cordeiro de Farias teve atuação destacada na Coluna Prestes, comandando um dos quatro destacamentos que a compunham.

Em fevereiro de 1927, já desgastados pela longa campanha e sem perspectivas de vitória, os líderes da Coluna Prestes resolveram encerrar aquela fase da luta e abandonaram o território brasileiro, indo para a Bolívia.

Em 1928, Cordeiro de Farias retornou ao Brasil clandestinamente e deu prosseguimento às atividades conspiratórias, tendo sido, então, preso.

Absolvido pelo então Supremo Tribunal Militar, retornou ao Exército, ingressando no curso de Engenharia do Instituto Geográfico Militar, sem deixar, contudo, de conspirar contra o governo.

Em 1930, participou do movimento revolucionário conhecida como Revolução Liberal, que depôs o presidente Washington Luís e impediu a posse do novo presidente eleito, Júlio Prestes.

Integrou, nessa ocasião, o comando da insurreição em Minas Gerais.

Com a vitória do movimento e a posse do novo governo liderado por Getúlio Vargas, foi lotado no gabinete do ministro da Guerra, general Leite de Castro.

Em maio de 1931, foi transferido para São Paulo, assumindo a chefia de polícia daquele estado.

Permaneceu no cargo até junho do ano seguinte, um mês antes da deflagração do movimento constitucionalista pelas forças políticas tradicionais de São Paulo, que exigiam a reconstitucionalizaçào do país e a recuperação da autonomia estadual, com o afastamento dos tenentes que vinham exercendo influência na política paulista.

Colaborou então no combate à insurreição e, no ano seguinte, voltou a ocupar a chefia da polícia do estado.

No Estado Novo, foi, ainda, chefe do Estado-Maior da Quinta Região Militar, sediada em Curitiba.

Em 1935, de volta ao Rio de Janeiro, deu combate à Intentona Comunista, levante militar deflagrado por elementos de esquerda ligados à Aliança Nacional Libertadora e liderado pelo antigo comandante de Cordeiro de Farias, Luís Carlos Prestes.

Em 1937, foi transferido para o Rio Grande do Sul, onde assumiu a chefia do estado-maior da Terceira Região Militar, sediada em Porto Alegre, sob o comando do general Manuel de Cerqueira Daltro Filho.

Participou, então, da campanha movida por Getúlio Vargas para afastar o governador José Antônio Flores da Cunha, que acabou sendo substituído por Daltro Filho.

Após a morte de Daltro Filho, Getúlio Vargas nomeou Cordeiro de Farias como interventor federal no Rio Grande do Sul.

Por estar no Rio de Janeiro, o cargo foi assumido interinamente por dois meses por Joaquim Maurício Cardoso, tendo Cordeiro de Farias assumido em 4 de março de 1938.

Em sua administração, devido às tensões da Segunda Guerra Mundial, determinou que todas as escolas alemãs do estado se nacionalizassem.

Em setembro de 1943, deixou a interventoria gaúcha para integrar-se à Força Expedicionária Brasileira (FEB).

Em setembro de 1944, viajou para a Itália, onde participou das principais batalhas em que a FEB esteve envolvida na Segunda Guerra Mundial.

Expedicionários da FEB, da esquerda para a direita:
Olympio Falconiere da Cunha, Zenóbio da Costa,
Mascarenhas de Morais e Cordeiro de Farias.

A volta ao Brasil ocorreu em 1945, seguida de novas articulações políticas.

Seu nome chegou, então, a ser cogitado como candidato a Presidente da República.

Em outubro daquele ano, participou do Golpe Militar que afastou Vargas do poder e extinguiu o Estado Novo.

Participou do Governo do Presidente Eurico Gaspar Dutra, como adido militar à Embaixada do Brasil em Buenos Aires.

Em 1949, foi nomeado comandante da recém-criada Escola Superior de Guerra.

Deixou a Escola Superior de Guerra em agosto de 1952 para assumir o comando da Zona Militar Norte, sediada em Recife.

Em 1954, foi apresentado como candidato de consenso ao Governo de Pernambuco, na coligação que envolvia PSD, PDC e PL.

Fez um governo voltado para a assistência ao Sertão, para a construção de açudes e estradas.

Ocupou o cargo de Govrnador de Pernambuco entre 1955 e 1958, renunciando ao mandato um mês antes de sua conclusão para assumir a presidência da Comissão Mista Brasil-Estados Unidos, que exerceu durante dois anos.

Em 1961, foi nomeado chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA) pelo presidente Jânio Quadros.

Com a renúncia de Jânio, envolveu-se na conspiração que visava impedir a posse do vice-presidente, João Goulart, então em viagem à China.

Goulart tomou posse devido ao apoio da população e a Campanha da Legalidade, comandada em Porto Alegre por Leonel Brizola.

Na ocasião, Cordeiro de Farias foi nomeado Comandante do Terceiro Exército pelo Ministro da Guerra, Odílio Denys, em substituição ao General José Machado Lopes, que havia aderido à causa legalista.

Não chegou a assumir este cargo.

Participou, ativamente, do Golpe Militar que, em 1964, depôs o presidente João Goulart.

Novamente foi cogitado para ocupar o cargo de Presidente da República, o que não se concretizou, uma vez que era considerado “político demais” por alguns setores do Exército.

No Governo de Castelo Branco, assumiu o Ministério Extraordinário para a Coordenação dos Organismos Regionais, depois transformado em Ministério do Interior.

Desempenhou essa função até junho de 1966, quando se retirou da vida pública.

Assumiu, então, a direção executiva do grupo empresarial pernambucano João Santos.

Cordeiro de Farias foi premiado com inúmeras condecorações nacionais e internacionais, entre elas a Cruz de Guerra com Palma (França), a Legião de Honra (França), a Grande Oficial Ordem da Coroa (Itália), a Grã-Cruz da Ordem Militar de Avis (Portugal), Legião de Mérito (Estados Unidos), Grande Oficial da Ordem Nacional do Mérito Militar, no Mérito Naval, e do Mérito Aeronáutico (Brasil).

Cordeiro de Farias faleceu no Rio de Janeiro, aos 79 anos, em 17 de fevereiro de 1981.

General Osvaldo Cordeiro de Farias