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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

GLAUBER ROCHA

Glauber de Andrade Rocha foi um cineasta, ator e escritor nascido em Vitória da Conquista, Bahia, em 14 de março de 1939.

Filho de Adamastor Bráulio Silva Rocha e de Lúcia Mendes de Andrade Rocha, Glauber Rocha foi criado na religião da mãe, protestante, membro da Igreja Presbiteriana, por ação de missionários americanos da Missão Brasil Central.

Alfabetizado pela mãe, estudou no Colégio do Padre Palmeira, instituição transplantada pelo padre Luís Soares Palmeira de Caetité, então o principal núcleo cultural do interior do Estado.

Em 1947 mudou-se com a família para Salvador, onde seguiu os estudos no Colégio 2 de julho, dirigido pela Missão Presbiteriana, ainda hoje uma das principais escolas da cidade.

Ali, escrevendo e atuando numa peça, seu talento e vocação foram revelados para as artes performativas.

Participou em programas de rádio, grupos de teatro e cinema amadores, e até do movimento estudantil, curiosamente ligado ao Integralismo.

Começou a realizar filmagens, que logo abandonou para iniciar uma breve carreira jornalística, em que o foco era sempre sua paixão pelo cinema.

Na faculdade conheceu Helena Ignez, com quem se casou.

Sempre controvertido, escreveu e pensou cinema.

Queria uma arte engajada ao pensamento e pregava uma nova estética, uma revisão crítica da realidade.

Antes de estrear na realização de uma longa metragem (Barravento, 1962), Glauber Rocha realizou vários curtas-metragens, ao mesmo tempo que se dedicava ao cineclubismo e fundava uma produtora cinematográfica.

Deus e o diabo na terra do sol (1964), Terra em transe (1967) e O dragão da maldade contra o santo guerreiro (1969) são três filmes paradigmáticos, nos quais uma crítica social feroz se alia a uma forma de filmar que pretendia cortar radicalmente com o estilo importado dos Estados Unidos da América.

Essa pretensão era compartilhada pelos outros cineastas do Cinema Novo, corrente artística nacional liderada principalmente por Rocha e grandemente influenciada pelo movimento francês Nouvelle Vague.

Glauber Rocha foi um cineasta controvertido e incompreendido no seu tempo, além de ter sido patrulhado tanto pela direita como pela esquerda brasileira.

Era visto pela ditadura militar que se instalou no país, em 1964, como um elemento subversivo.

Ele tinha uma visão apocalíptica de um mundo em constante decadência e toda a sua obra denotava esse seu temor.

Com Barravento ele foi premiado no Festival Internacional de Cinema da Tchecoslováquia em 1963.

Um ano depois, com Deus e o diabo na terra do sol, ele conquistou o Grande Prêmio no Festival de Cinema Livre da Itália e o Prêmio da Crítica no Festival Internacional de Cinema de Acapulco.

Foi com Terra em transe que tornou-se reconhecido, conquistando o Prêmio da Crítica do Festival de Cannes, o Prêmio Luis Buñuel na Espanha, o Prêmio de Melhor Filme do Locarno International Film Festival, e o Golfinho de Ouro de melhor filme do ano, no Rio de Janeiro.

Outro filme premiado de Glauber foi O dragão da maldade contra o santo guerreiro, prêmio de melhor direção no Festival de Cannes e, outra vez, o Prêmio Luiz Buñuel na Espanha.

Em 1971, com a radicalização do Regime Militar, Glauber partiu para o exílio, de onde nunca retornou totalmente.

Em 1977, viveu seu maior trauma: a morte da irmã, a atriz Anecy Rocha, que, aos 34 anos, caiu em um fosso de elevador.

Antes, outra irmã dele morreu, aos 11 anos, de leucemia.

Glauber Rocha residia há meses em Sintra, cidade de veraneio portuguesa, quando faleceu vítima de septicemia, há exatos 30 anos, em 22 de agosto de 1981, provocado por broncopneumonia que o atacava há mais de um mês, na Clínica Bambina, no Rio de Janeiro, depois de ter sido transferido de um hospital de Lisboa, onde permaneceu dezoito dias internado.

Glauber Rocha

domingo, 21 de agosto de 2011

O JOGO DE TRINTA E SETE MINUTOS

A decisão do Campeonato Brasileiro de 1980.

Entre Atlético-MG x Flamengo foi um jogo polêmico.

O árbitro que apitou a segunda partida da decisão.

O paulista José de Assis Aragão.

Expulsou o atacante Reinaldo.

Que reclamou de um impedimento.

No momento da expulsão, o jogo estava empatado em 2 a 2.

Resultado que dava o título ao Galo.

Já que ele havia vencido o primeiro jogo.

Por 1 a 0, no Mineirão.

Chicão e Palhinha também foram expulsos de campo.

Nunes marcou o gol que deu o título ao Flamengo.

A oito minutos do fim da partida.

Flamengo e Atlético-MG classificaram-se.

Para a disputa da Taça Libertadores da América em 1981.

Na primeira fase, ficaram juntos no Grupo 3.

Na estreia de ambos, um empate em 2 a 2 no Mineirão.

Após empate com o Olímpia.

E vitória contra o Cerro Porteño.

Nos jogos realizados no Paraguai.

O Atlético bateu o Olímpia.

E empatou com o Cerro no Mineirão.

Flamengo e Atlético-MG.

Voltariam a se encontrar no Maracanã.

Uma vitória daria a classificação aos mineiros.

O que ocorreu, foi mais um empate em 2 a 2.

E a vitória do Flamengo contra o Cerro no Paraguai.

Além de um empate do rubro-negro contra o Olímpia.

Deixaram Flamengo e Atlético-MG iguais.

Com oito pontos na tabela.

Para decidir o primeiro colocado do Grupo 3.

Foi necessário um jogo-desempate.

No Estádio Serra Dourada, em Goiânia.

21 de agosto de 1981.

Flamengo e Atlético-MG entram em campo.

Mais de 70 mil pessoas presentes ao Serra Dourada.

O carioca José Roberto Wright é o árbitro da partida.

Antes mesmo do jogo já havia polêmica.

O árbitro viajou junto à delegação carioca do Rio até Goiás.

Até aí nada demais, afinal ele estava no Rio de Janeiro mesmo.

O que gerou mais desconfiança.

Foi que simplesmente Wright ficou hospedado.

No mesmo hotel que o time do Flamengo.

Vamos ao jogo.

Tudo corria normalmente.

Até cerca de vinte minutos do primeiro tempo.

Quando Reinaldo faz falta normal em Zico.

imediatamente, sem pensar.

Wright mostrou o cartão vermelho ao atacante alvinegro.

Reinaldo ficou perplexo e tentava se explicar.

Mas de nada adiantou.

E não demorou muito para ocorrer nova expulsão.

Dessa vez a vítima foi Éder, depois de discutir com o árbitro.

A partir da expulsão de Éder.

comissão técnica da equipe mineira invadiu o gramado.

Uma longa confusão foi gerada.

Resultando na expulsão também de Chicão e Palhinha.

Além do técnico Carlos Alberto Silva.

E de todo o banco de reservas alvinegro.

Jogadores, comissão técnica e diretoria.

Apesar do tumulto, a partida recomeçou.

Mas o goleiro João Leite caiu no gramado.

Reclamando de dores na perna.

Nova confusão.

José Roberto Wright expulsa Osmar Guarnelli.

A partida foi dada por encerrada pelo árbitro.

Como não podia mais fazer substituições.

E com o número de jogadores abaixo do mínimo permitido.

O jogo foi encerrado, decorridos apenas 37 minutos.

Posteriormente, o Flamengo foi declarado vencedor.

Pelo placar de 1 a 0.

E acabou campeão da Taça Libertadores daquele ano.

Ao bater na Final o Cobreloa, do Chile.

Aquele polêmico duelo brasileiro na Libertadores.

Que teve a duração de apenas 37 minutos.

Ocorreu há exatos 30 anos...


Ficha do jogo
21 de agosto de 1981
Flamengo 0 x 0 Atlético-MG

Estádio Serra Dourada, Goiânia.
Público: 71.157.
Árbitro: José Roberto Wright.

Expulsões: Reinaldo, Éder, Chicão, Palhinha e Osmar (Atlético-MG).

Flamengo: Raul; Leandro (Carlos Alberto), Figueiredo, Mozer e Júnior; Vítor, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Baroninho (Chiquinho). Técnico: Paulo César Carpeggiani.

Atlético-MG: João Leite; Orlando, Osmar, Alexandre (Marcus Vinícius) e Jorge Valença; Chicão, Toninho Cerezo e Palhinha; Vaguinho (Fernando Roberto), Reinaldo e Éder. Técnico: Carlos Alberto Silva.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

BOB MARLEY

Robert Nesta Marley, mais conhecido como Bob Marley, nasceu em Nine Mile, na Jamaica, em 6 de fevereiro de 1945.

Cantor, guitarrista e compositor, o mais conhecido músico de reggae de todos os tempos, famoso por popularizar o gênero, é reconhecido por desenvolver uma obra que lidava com os problemas dos pobres e oprimidos.

Filho de um capitão do exército inglês, branco, e de uma adolescente negra vinda do norte do país, seu pai morrera em 1955, quando Bob Marley e sua mãe se mudaram para Trenchtown, uma favela de Kingston, onde o garoto era provocado pelos negros locais por ser mulato e ter baixa estatura (1,63 m).

Bob teve uma juventude muito difícil, obtendo personalidade e um ponto de vista bastante crítico sobre os problemas sociais.

Bob Marley começou suas experimentações musicais com o ska e passou aos poucos para o reggae enquanto o estilo se desenvolvia.

Bob é talvez mais conhecido pelo seu trabalho com o grupo de reggae "The Wailers", que incluía outros dois célebres músicos, Bunny Wailer e Peter Tosh.

A maioria do trabalho inicial de Marley foi produzida por Coxsone Dodd no Studio One.

O relacionamento dos dois se deterioraria mais tarde devido a pressões financeiras, e no começo da década de 1970 ele produziu o que é considerado por muitos o seu melhor trabalho, então pelas mãos de Lee Perry.

A dupla também se separaria, desta vez por problemas com direitos autorais.

Eles trabalhariam juntos novamente em Londres, e permaneceriam amigos até a morte de Marley.

O trabalho de Bob Marley foi amplamente responsável pela aceitação cultural da música reggae fora da Jamaica.

Ele assinou com o selo Island Records, de Chris Blackwell, em 1971, na época uma gravadora bem influente e inovadora.

Foi ali, com "No woman, no cry", em 1975, que ele ganhou fama internacional.

Bob Marley deixou a Jamaica no final de 1975 e foi para a Inglaterra, onde gravou os álbuns "Exodus" e "Kaya" e onde também foi preso pela posse de um cigarro de maconha.

Ele lançou a música "Africa Unite" no álbum "Survival" em 1979, e então foi convidado a tocar nas comemorações pela independência do Zimbábue em 17 de abril de 1980.

Bob Marley era adepto da religião rastafari.

Ele foi influenciado por sua esposa Rita Marley, e passou a receber os ensinamentos de Mortimer Planno.

Ele servia de fato como um missionário rasta, fazendo com que a religião fosse conhecida internacionalmente.

Em suas canções, Marley pregava irmandade e paz para toda a humanidade.

Foi inclusive batizado na Igreja Ortodoxa da Etiópia com o nome Berhane Selassie.

Bob Marley era um grande defensor da maconha, usada por ele no sentido da comunhão, apesar de que seu uso não é consenso entre os rastafáris.

Na capa de "Catch a fire", inclusive, ele é visto fumando um cigarro de maconha, e o uso espiritual da cannabis é mencionado em muitas de suas músicas.

Marley também tinha conexões com a seita rastafári "Doze tribos de Israel", e expressou isso com uma frase bíblica sobre José, filho de Jacó, na capa do álbum "Rastaman Vibration".

Em julho de 1977, Bob Marley descobriu uma ferida no dedão de seu pé direito, que ele pensou ter sofrido durante uma partida de futebol.

A ferida não cicatrizou, e sua unha posteriormente caiu.

Foi então que o diagnóstico correto foi feito.

Marley na verdade sofria de uma espécie de câncer de pele, chamado melanoma maligno, que se desenvolveu sob sua unha.

Os médicos o aconselharam a ter o dedo amputado, mas Bob Marley recusou-se devido aos princípios rastafaris que diziam que os médicos são homens que enganam os ingênuos, fingindo ter o poder de curar.

Ele também estava preocupado com o impacto da operação em sua dança.

amputação afetaria profundamente sua carreira no momento em que se encontrava no auge.

Na verdade, a preocupação de Bob Marley era quanto à amputação de qualquer parte de seu corpo, seja o dedo do pé ou suas tranças.

Para os seguidores da religião / filosofia rastafari, não se deve cortar, aparar ou amputar qualquer parte do corpo.

Marley então passou por uma cirurgia para tentar extirpar as células cancerígenas.

A doença foi mantida em segredo do grande público.

O câncer espalhou-se para seu cérebro, pulmão e estômago.

Durante uma turnê no verão de 1980, numa tentativa de se consolidar no mercado norte-americano, Marley desmaiou enquanto corria no Central Park de Nova Iorque.

Isso aconteceu depois de uma série de shows na Inglaterra e no Madison Square Garden, mas a doença o impediu de continuar com a grande turnê agendada.

Marley procurou ajuda, e decidiu ir para Munique para tratar-se com o controverso especialista Josef Issels por vários meses, não obtendo resultados.

Um mês antes de sua morte, Bob Marley foi premiado com a Ordem ao Mérito Jamaicana.

Ele queria passar seus últimos dias em sua terra natal, mas a doença se agravou durante o voo de volta da Alemanha e Marley teve de ser internado em Miami.

Bob Marley faleceu no hospital Cedars of Lebanon há exatos 30 anos, no dia 11 de maio de 1981, em Miami, Flórida, aos 36 anos.

Seu funeral na Jamaica foi uma cerimônia digna de chefes de estado, com elementos combinados da Igreja Ortodoxa e do Rastafarianismo.

Ele foi sepultado em uma capela em Nine Mile, junto com sua guitarra favorita, uma Fender Stratocaster vermelha.

A música e a lenda de Bob Marley ganharam mais e mais força desde sua morte.

Também deu a ele um status mítico, similar ao de Elvis Presley e John Lennon.

Bob Marley é enormemente popular e bastante conhecido ao redor do mundo, particularmente na África e na América Latina.

É considerado por muitos como o primeiro popstar do Terceiro Mundo.

Bob Marley

terça-feira, 3 de maio de 2011

CAMPEONATO BRASILEIRO, 1981

O Campeonato Brasileiro de 1981.

Foi disputado por 44 clubes.

Classificados de acordo com os resultados.

Dos Campeonatos Estaduais de 1980.

Participaram do Campeonato Brasileiro de 1981.

Os seis primeiros colocados do Campeonato Paulista.

São Paulo, Santos, Ponte Preta.

Portuguesa, Corinthians e Inter de Limeira.

Os cinco primeiros colocados do Campeonato Carioca.

Fluminense, Vasco, Flamengo, Botafogo e Bangu.

campeão e o vice-campeão.

Do Rio Grande do Sul (Grêmio e Internacional).

Minas Gerais (Atlético e Cruzeiro).

Paraná (Colorado e Pinheiros).

Bahia (Vitória e Galícia).

Pernambuco (Sport e Santa Cruz).

Ceará (Ceará e Ferroviário).

E Goiás (Vila Nova e Goiás).

Os campeões estaduais de Alagoas (CRB).

Amazonas (Nacional).

Distrito Federal (Brasília).

Espírito Santo (Desportiva).

Maranhão (Sampaio Corrêa).

Mato Grosso (Mixto).

Mato Grosso do Sul (Operário).

Pará (Paysandu).

Paraíba (Campinense).

Piauí (River).

Rio Grande do Norte (América).

Santa Catarina (Joinville).

E Sergipe (Itabaiana).

Além do campeão e do vice-campeão.

Da Taça de Prata de 1980 (Londrina e CSA).

Classificaram-se ainda para a segunda fase.

Os quatro primeiros colocados.

Na primeira fase da Taça de Prata de 1981.

Bahia, Palmeiras, Náutico e Uberaba.

A primeira fase não teve surpresas.

Embora o Atlético-MG tenha conseguido sua classificação.

Apenas na última rodada.

Na Taça de Prata.

Surpresa apenas com a eliminação do Coritiba.

Na segunda fase.

Corinthians, Palmeiras e Cruzeiro foram eliminados.

Dentre os clubes oriundos da Taça de Prata.

Bahia e Náutico avançaram às oitavas-de-final.

As oitavas-de-final não apresentaram surpresas.

E as quartas-de-final eliminaram Vasco, Inter e Operário-MS.

Além do atual campeão nacional.

Flamengo de Nunes e Zico.

Botafogo, São Paulo, Ponte Preta e Grêmio

Chegaram às semifinais, de muito equilíbrio.

Grêmio e São Paulo classificaram-se para a Final.

Após duras batalhas contra seus oponentes.

O primeiro jogo da Final foi no dia 30 de abril, no Olímpico.

O Grêmio venceu por 2 a 1 com dois gols de Paulo Isidoro.

Serginho Chulapa fez o gol do Tricolor Paulista.

O segundo jogo foi no Estádio do Morumbi.

03 de maio de 1981.

95.000 pessoas presentes.

O Grêmio jogava pelo empate.

Tinha um grande time.

Emerson Leão no gol.

Paulo Roberto e Casemiro nas laterais.

Newmar e Hugo De León na zaga.

China, Vilson Tadei e Paulo Isidoro no meio.

E Tarciso, Baltazar e Odair na frente.

Ênio Andrade no banco era experiência.

O São Paulo jogava em casa e era um adversário à altura.

Valdir Peres no gol era Seleção.

Getúlio e Marinho Chagas nos flancos.

Oscar e Dario Pereyra era a melhor zaga do Brasil.

Élvio, Renato e Everton jogavam no meio.

Paulo César, Serginho Chulapa e Zé Sérgio era o ataque.

O técnico era Carlos Alberto Silva.

Ambos campeões em seus Estados.

José Roberto Wright o árbitro.

Grêmio e São Paulo haviam se enfrentado já na segunda fase.

No Morumbi, o São Paulo havia goleado naquela ocasião.

3 a 0, três gols de Serginho.

E o São Paulo começa melhor a partida.

Como não podia deixar de ser, estava em busca do gol.

Éverton, Serginho e Renato perdem boas chances.

O Grêmio tenta equilibrar as ações.

Éverton perde grande chance para o São Paulo.

Em seguida é Odair quem perde cara a cara com Valdir Peres.

E o primeiro tempo termina em 0 a 0.

O São Paulo luta contra o relógio.

Leão faz boas intervenções.

Aos 19 do segundo tempo.

Lançamento na área do São Paulo.

Baltazar mata no peito após cabeçada de Renato Sá.

Que entrara na partida no lugar de Odair.

Na entrada da área, sem deixar a bola cair no chão.

O artilheiro de Deus mandou um sem pulo espetacular.

No ângulo esquerdo de Valdir Peres.

É gol do Grêmio!

Efusiva comemoração da representação gremista.

Silêncio dos torcedores paulistas no Morumbi.

O São Paulo ainda perde chances.

O tempo passa.

Serginho agride Leão a um minuto do fim do jogo.

É expulso.

Não é o final que a torcida são-paulina esperava.

A festa é gaúcha no Morumbi.

Com muita luta e coragem.

O Grêmio de Foot-Ball Porto Alegrense.

É pela primeira vez Campeão Brasileiro de Futebol.

Foi há exatos 30 anos!...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O BRASIL RUMO À COPA DE 1982

30 anos.

O segundo jogo do Brasil.

Nas eliminatórias para a Copa de 1982.

Em 22 de fevereiro de 1981.

O Brasil jogava em La Paz contra a Bolívia.

Também era o segundo jogo da Bolívia nas eliminatórias.

Bolívia e Brasil haviam vencido a Venezuela.

Naquela tarde o Brasil alinhou Valdir Peres no gol.

Edevaldo, Oscar, Luizinho e Júnior.

Cerezo, Sócrates, Zico e Tita.

Reinaldo e Éder no ataque.

Telê Santana no banco.

A Bolívia escalou Jimenez no gol.

Trigo, Vaca, Espinosa e Dellano era a zaga.

Villaroel, Romero, Aragonés e Borja no meio.

Reynaldo e Aguillar na frente.

Ramiro Blacutti no banco.

No Estádio Hernando Silles.

O peruano Enrique Labo Revoredo apitou a partida.

Sócrates marcou logo a seis minutos.

O primeiro tempo estava muito fácil para o Brasil.

Reinaldo e Zico chutaram bolas na trave.

O Brasil pressionava mas a bola não entrava.

E aos 27 minutos foi a Bolívia quem marcou.

Aragonés numa bela cabeçada após cobrança de escanteio.

Aproveitando-se de uma saída confusa de Valdir Peres.

E o primeiro tempo terminou empatado.

O jogo no segundo tempo foi mais duro.

O Brasil marcou com Reinaldo aos 15 minutos.

Cinco minutos depois Cerezo foi expulso.

O jogo passou a ficar complicado para o Brasil.

Os times cansaram à medida que chegava o fim do jogo.

E o Brasil chegou à sua segunda vitória nas eliminatórias.

Venezuela e Bolívia se enfrentariam na sequência em Caracas.

Algumas semanas mais tarde.

Brasil e Bolívia se encontrariam novamente no Rio de Janeiro.

Dali a exatamente um mês, em 22 de março.

Essa foi a penúltima vitória brasileira em La Paz.

Outra, apenas 16 anos depois.

Na Final da Copa América 1997.

Em jogo de eliminatória de Copa do Mundo.

Nossa última vitória sobre a Bolívia em La Paz.

Foi em 22 de fevereiro de 1981.

Há exatos 30 anos...

sábado, 19 de fevereiro de 2011

OSVALDO ORICO

Osvaldo Orico, professor, diplomata, poeta, contista, romancista, biógrafo e ensaísta, nasceu em Belém, Pará, em 29 de dezembro de 1900.

Estudou no Colégio Paes de Carvalho, em Belém.

Ingressou no jornalismo, sendo repórter no jornal “O Estado do Pará”, tornando-se redator em 1918.

Foi também um dos editores da revista “Guajarina”, responsável pela eclosão do movimento Modernista no Pará.

Em 1919 foi para o Rio de Janeiro, onde formou-se em Direito e ingressou na vida diplomática.

Primeiramente dedicou-se ao magistério, sendo professor da Escola Normal no período de 1920 a 1932.

Foi diretor da Instrução Pública do Distrito Federal, em 1930.

Diretor da Educação e Cultura do Estado do Pará, em 1936.

Secretário-geral do Estado do Pará, em 1936.

Diretor da Divisão de Educação Extra-Escolar do Ministério da Educação e Saúde, em 1938.

Diretor da Seção Cultural do Pavilhão Brasileiro na Exposição do Mundo Português, em 1940.

Serviu como diplomata em Santiago do Chile, Buenos Aires, Haia e Beirute.

Foi delegado adjunto na Unesco, conselheiro comercial da Embaixada do Brasil na Espanha e na Bélgica.

Deputado federal pelo Estado do Pará.

Ministro do Brasil junto à Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, com sede em Paris.

Osvaldo Orico pertenceu à Academia Paraense de Letras (1936-1937), na qual ocupou a cadeira n°. 38, cujo patrono foi Luís Tito Franco de Almeida.

Aos 36 anos, ingressou na Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira 10, na sucessão de Laudelino Freire, onde foi recebido pelo acadêmico Claúdio de Souza em 9 de abril de 1938.

Foi membro do Instituto Histórico do Pará; da Academia Portuguesa da História; da Academia das Ciências de Lisboa; da Real Academia Espanhola e da Academia da Latinidade, de Roma.

Teve alguns livros traduzidos e deixou vários escritos inéditos.

Faleceu no Rio de Janeiro, há exatos 30 anos, em 19 de fevereiro de 1981.

O escritor Osvaldo Orico

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A PRIMEIRA FINAL DO MUNDIAL INTERCLUBES EM TÓQUIO

Em 11 de fevereiro de 1981.

Há exatos 30 anos portanto.

Era disputada pela primeira vez em Tóquio.

A Final do Campeonato Mundial Interclubes.

O torneio existia desde 1960.

Era conhecido como Taça Intercontinental.

Disputado anualmente.

Entre o Campeão da Liga dos Campeões da Europa.

E o Campeão da Taça Libertadores da América.

Sempre um jogo era disputado na Europa.

E outro jogo disputado na América do Sul.

Eventualmente era disputado um jogo-desempate.

A Taça Intercontinental foi disputada de forma ininterrupta.

Até o ano de 1974.

Embora em alguns anos tenha havido desistências.

Dos clubes campeões da Europa em disputar o torneio.

Em 1971 e 1973.

O Ajax não quis disputar a Taça.

Em 1974 foi o Bayern Munique.

Nas três ocasiões o vice-campeão europeu.

Representou o continente no jogo.

Que valia o prêmio de campeão intercontinental.

Em 1973 foi disputado apenas um jogo.

No Estádio Olímpico de Roma.

Etre Juventus e Independiente, que sagrou-se campeão.

Em 1975 não houve acordo.

O Bayern Munique novamente não quis disputar.

O vice-campeão Leeds United também não.

E pela primeira vez em quinze anos a Final não ocorreu.

Em 1977 foi o Liverpool que declinou da disputa.

E o Borussia Mönchengladbach representou a Europa.

Em 1978 novamente o Liverpool recusou.

E mais uma vez a Final deixou de ser disputada.

Em 1979, outro time inglês, o Nottingham Forest.

Anunciou que não disputaria a Final.

O Malmö, da Suécia, disputou o título contra o Olímpia.

O time do Paraguai venceu a última disputa com dois jogos.

Em 1980 o Nottingham foi mais uma vez campeão da Europa.

Venceu o Hamburgo, da Alemanha, na Final em Madri.

E mais uma vez não queria disputar a Taça Intercontinental.

Desta vez contra o Nacional do Uruguai.

Uma solução foi sugerida para o problema.

A fabricante de veículos japonesa Toyota.

Tinha interesse em patrocinar o torneio.

O desconhecido futebol japonês.

Necessitava de um impulso para ganhar fôlego.

Em seu incipiente desenvolvimento.

A Toyota se dispôs a patrocinar o evento.

O encontro do Campeão da Europa.

Com o Campeão da América do Sul.

Na disputa da Taça Intercontinental.

Em um só jogo, em Tóquio, no Japão.

O Nottingham Forest topou a parada.

O Nacional de Montevidéu também.

Devido ao longo tempo das negociações.

A partida só foi disputada em 1981.

No dia 11 de fevereiro.

No Estádio Nacional de Tóquio.

Sob os olhares de cerca de 62.000 espectadores.

O Nacional do técnico Mujica.

Marcou logo aos 10 minutos de jogo com Victorino.

Resultado que conseguiu manter até o fim da partida.

O Nacional escalou Rodolfo Rodríguez no gol.

Blanco, Moreira, Enríquez e González.

Milar, Espárrago, Luzardo e Alberto Bica.

Victorino e Morales.

Os uruguaios sagraram-se campeões do mundo.

Naquela manhã em Tóquio.

Que marcou a primeira Final do Mundial Interclubes.

Sob a gerência da Toyota no Japão.

30 anos...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A ESTREIA DO BRASIL DE TELÊ

Há exatos 30 anos...

A Seleção Brasileira de Telê Santana.

Estreava nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1982.

Punha à prova o fato.

De não ausentar-se de nenhuma disputa do Mundial.

O time havia acabado de perder o Mundialito.

Em Montevidéu, no Uruguai.

Teve ainda um amistoso contra a Colômbia.

Uma semana antes.

Empate em 1 a 1 na cidade de Bogotá.

Naquele domingo, 8 de fevereiro de 1981.

No Estádio Olímpico de Caracas.

O Brasil entrou em campo com Valdir Peres.

Edevaldo, Oscar, Luizinho e Júnior.

Batista, Cerezo, Zico e Zé Sérgio.

Serginho Chulapa e Paulo Isidoro.

A Venezuela era o adversário.

Escalou Vegas no gol.

Ochoa, Castro, Acosta e Campos na defesa.

Echenausi, Torres, Scarpeccio e García no meio.

Marín e Hernández no ataque.

O técnico era Walter Roque.

O uruguaio Ramón Barreto apita o início de jogo.

E o primeiro tempo é sonolento.

Era apenas a quinta partida de toda a história.

Entre brasileiros e venezuelanos.

Nos quatro encontros anteriores.

Quatro goleadas brasileiras.

Vinte e um gols verde e amarelos marcados.

E naquele dia em Caracas.

O time canarinho muito nervoso.

Sentia o peso da estreia.

De levar o país tri-campeão à Copa do Mundo.

O primeiro tempo termina 0 a 0.

Roque faz uma alteração no time da Venezuela no intervalo.

Na volta dos vestiários.

Confusão logo aos dois minutos do segundo tempo.

Zé Sérgio e Echenaussi são expulsos.

O jogo fica quente.

Aos 18 minutos García faz falta violenta.

E também sai mais cedo de dentro do gramado.

O técnico venezuelano faz mais uma alteração.

Logo no minuto seguinte.

Fecha ainda mais sua defesa pondo em campo Castillo.

O Brasil persegue o seu gol.

Aos 25 minutos mais confusão na partida.

Marín e Paulo Isidoro também são expulsos.

A Venezuela com apenas oito jogadores em campo.

E o Brasil com nove.

A Seleção tenta de todas as formas a vitória.

A Venezuela faz de tudo para sustentar o empate.

Eis que aos 36 minutos.

Pênalti marcado para o Brasil.

Zico converte a cobrança.

E nos poucos minutos seguintes.

A Venezuela entregue em campo.

O Brasil satisfeito com o seu gol.

Pouco se fez no jogo para mudar o resultado.

Fim de jogo: Brasil 1 x 0 Venezuela.

A estreia do maravilhoso time de Telê.

Não foi uma epopeia ou um conto de fadas.

Mas um sofrimento digno de um filme de alto suspense.

Amargura que apenas seria mais dolorosa.

Em Barcelona, no 5 de julho de 1982...

O Brasil nas Eliminatórias para a Copa de 1982

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

UNIÃO SÃO JOÃO

O União São João Esporte Clube foi fundado há exatos 30 anos, em 14 de janeiro de 1981, com o nome de Sociedade Esportiva e Recreativa Usina São João. Suas cores são verde e branco.

Sediado na cidade de Araras, no interior de São Paulo, é também conhecido do público como União de Araras.

Sucessor da Sociedade Esportiva e Recreativa Usina São João, foi fundado para preencher a lacuna que se instalou no futebol profissional da cidade, após a desativação do departamento de futebol de tradicionais clubes da cidade como a AA Ararense, o Comercial FC, entre outros.

Hermínio Ometto, dono da Usina São João, foi o realizador do sonho ararense de ter uma equipe que representasse profissionalmente a cidade.

Nesse mesmo ano de 1981, a equipe disputou seu primeiro torneio de forma oficial: o Campeonato Paulista da Série A3.

Uma das primeiras formações do União São João, em 1981

No ano seguinte, o time foi convidado a participar da Série A2 do Campeonato Paulista.

Em 1987 conseguiu o acesso à Série A1 do Campeonato Paulista, fato inédito na cidade, ao ser campeão da Série A2, batendo o São José por 1 a 0.

Em 1988 estreou na Série A1 do Campeonato Paulista e na Série C do Campeonato Brasileiro.

Não se saiu bem no Campeonato Paulista, ficando na última posição. Em 18 de maio inaugurou seu estádio, denominado Dr. Hermínio Ometto, com capacidade para 16 mil pessoas.

O União São João terminou o ano como campeão da Série C do Campeonato Brasileiro, ascendendo à Série B.

Equipe do União São João, campeã brasileira da Série C em 1988

Em 1989 fez uma campanha razoável no Campeonato Paulista, avançando à Segunda Fase. Também chegou à Segunda Fase da Série B do Campeonato Brasileiro.

Em 1991, venceu a Copa Benedito Teixeira e, em 1992, voltou a disputar a Série B do Campeonato Brasileiro, conseguindo o acesso à Série A.

Em 1993, estreia na Série A do Campeonato Brasileiro com uma vitória por 3 a 0 contra o Atlético-PR em Curitiba. O clube termina o Campeonato na 12a. colocação e mantém-se na Série A.

Equipe do União São João, em partida do Campeonato Brasileiro de 1993

Em 1994 não faz uma boa campanha no Brasileirão e escapa por pouco do rebaixamento.

Neste ano, sob o amparo da Lei Zico, o União São João se transformou em empresa, remunerando seus diretores e trabalhando em regime profissional.

Em 1995 chega à Fase Final do Campeonato Paulista mas no segundo semestre acaba rebaixado à Série B do Campeonato Brasileiro, com apenas 2 vitórias em 23 jogos.

Em 1996 vence a Série B do Campeonato Brasileiro e conquista o retorno à Série A.

União São João campeão da Série B do Campeonato Brasileiro 1996

Em 1997 faz excelente campanha no Campeonato Paulista, terminando o torneio na 6a. colocação.

Contudo, disputa pela última vez a Série A do Campeonato Brasileiro, sendo mais uma vez rebaixado na última posição, com apenas 2 vitórias em 25 jogos.

Entre 1998 e 2003 disputa a Série B do Campeonato Brasileiro, não conseguindo acesso em nenhuma das oportunidades. No Campeonato Paulista, chegou ao vice-campeonato em 2002.

União São João vice-campeão paulista em 2002

Disputou a Série C do Campeonato Brasileiro em 2004 e 2005. Desde então não voltou a disputar competições nacionais.

Em 2005 disputa pela última vez o Campeonato Paulista da Série A1 após 18 anos ininterruptos.

Desde 2006 disputa a Série A2 do Campeonato Paulista mas não obtém o sonhado regresso à Série A1.

O União São João é um clube conhecido por revelar jogadores, como o lateral-esquerdo Roberto Carlos, ex-jogador do Real Madrid e da Seleção Brasileira, além de outros talentos do futebol brasileiro.

A principal missão do Departamento de Futebol do União São João é descobrir novos talentos.

Diariamente, garotos de todo o Brasil são avaliados, em testes que resultam na aquisição de jovens jogadores.


Além disso, o clube possui uma rede de observadores com a função de indicar jovens promessas.

O clube foi duas vezes campeão paulista sub-20, em 1996 e 2001.

Conta com um Centro de Treinamento instalado numa área de 41.000 m², dotado de três gramados, anexos ao Estádio Hermínio Ometto.

Administrado pelo empresário da construção civil José Mário Pavan, o clube alcançou rápido sucesso nacional, se fixando com competência no mercado esportivo nacional e internacional.

Parabéns ao União São João pelos seus 30 anos!

Que o clube permaneça desempenhando um importante trabalho na revelação de talentos para o futebol brasileiro!...


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

NELSON RODRIGUES

Nelson Rodrigues nasceu em Recife, a 23 de agosto de 1912. Foi um importante dramaturgo, jornalista e escritor brasileiro.

Nascido na capital pernambucana, Nelson Rodrigues mudou-se para o Rio de Janeiro ainda criança, onde viveria por toda sua vida.

Seu pai, o ex-deputado federal e jornalista Mário Rodrigues, perseguido politicamente, resolveu estabelecer-se na então capital federal em julho de 1916, empregando-se no jornal "Correio da Manhã".

Segundo o próprio Nelson em suas "Memórias", seu grande laboratório e inspiração foi a infância vivida na Zona Norte da cidade.

Dos anos passados numa casa simples na rua Alegre, 135 (atual rua Almirante João Cândido Brasil), no bairro de Aldeia Campista, saíram para suas crônicas e peças teatrais as situações provocadas pela moral vigente na classe média dos primeiros anos do século XX e suas tensões morais e materiais.

Retraído, era um leitor compulsivo de livros românticos do século XIX. Nesta época ocorreu também para Nelson a descoberta do futebol, uma paixão que conservaria por toda a vida e que lhe marcaria o estilo literário.

Na década de 1920, Mário Rodrigues fundou o jornal "A Manhã". Seria no jornal do pai que Nelson começaria sua carreira jornalística, na seção de polícia, com apenas treze anos de idade.

Os relatos de crimes passionais e pactos de morte entre casais apaixonados incendiavam a imaginação do adolescente romântico, que utilizaria muitas das histórias reais que cobria em suas crônicas futuras.

Neste período a família Rodrigues conseguiria atingir uma situação financeira confortável, mudando-se para o bairro de Copacabana, então um arrabalde luxuoso da orla carioca.

Apesar da bonança, Mário Rodrigues perderia o controle acionário de "A Manhã" para o sócio. Mas, em 1928, com o providencial auxílio financeiro do vice-presidente Fernando de Melo Viana, Mário fundou o diário "Crítica".

Como cronista esportivo, Nelson escreveu textos antológicos sobre o Fluminense Football Club, clube para o qual torcia fervorosamente.

A maioria dos textos eram publicados no "Jornal dos Sports". Junto com seu irmão, o jornalista Mário Filho, Nelson foi fundamental para que os Fla-Flu tivessem conquistado o prestígio que conquistaram e se tornassem grandes clássicos do futebol brasileiro.

Nelson Rodrigues criou e evocava personagens fictícios como "Gravatinha" e "Sobrenatural de Almeida" para elaborar textos a respeito dos acontecimentos esportivos relacionados ao clube do coração.

Nelson seguiu os seus irmãos Mílton, Mário Filho e Roberto, integrando a redação do novo jornal. Ali continuou a escrever na página de polícia, enquanto Mário Filho cuidava dos esportes e Roberto, um talentoso desenhista, fazia as ilustrações.

"Crítica" era um sucesso de vendas, misturando uma cobertura política apaixonada com o relato sensacionalista de crimes. Mas o jornal existiria por pouco tempo.

Em 26 de dezembro de 1929, a primeira página de "Crítica" trouxe o relato da separação do casal Sylvia Serafim e João Thibau Jr.

Ilustrada por Roberto e assinada pelo repórter Orestes Barbosa, a matéria provocou uma tragédia. Sylvia, a esposa que se desquitara do marido, e cujo nome fora exposto na reportagem, invadiu a redação de "Crítica" e atirou em Roberto com uma arma comprada naquele dia.

Nelson testemunhou o crime e a agonia do irmão, que morreu dias depois.

Mário Rodrigues, deprimido com a perda do filho, faleceu poucos meses depois. Sylvia, apoiada pelas sufragistas e por boa parte da imprensa concorrente de "Crítica", foi absolvida do crime.

Finalmente, durante a Revolução de 30, a gráfica e a redação de "Crítica" são empastelados e o jornal deixa de existir. Sem seu chefe e sem fonte de sustento, a família Rodrigues mergulha em decadência financeira.

Foram anos de fome e dificuldades para todos. Pouco afinados com o novo regime, os Rodrigues demorariam anos para se recuperarem dos prejuízos.

Ajudado por Mário Filho, amigo de Roberto Marinho, Nelson passa a trabalhar no jornal "O Globo", sem salário. Apenas em 1932 é que Nelson seria efetivado como repórter no jornal. Pouco tempo depois, Nelson descobriu-se tuberculoso.

Para tratar-se, retira-se do Rio de Janeiro e passa longas temporadas em um sanatório na cidade de Campos do Jordão. Seu tratamento é custeado por Marinho, que conquistou a gratidão de Nelson pelo resto de sua vida.

Recuperado, Nelson volta ao Rio e assume a seção cultural de "O Globo", fazendo a crítica de ópera. Em 1940 casou-se com Elza Bretanha, sua colega de redação.

A partir da década de 1940, Nelson divide-se entre o emprego em "O Globo" e a elaboração de peças teatrais.

Em 1941 escreve "A mulher sem pecado", que estreou sem sucesso. Pouco tempo depois assina a revolucionária "Vestido de noiva", peça que estreou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro com estrondoso sucesso.

O teatrólogo Nelson Rodrigues seria o criador de uma sintaxe toda particular e inédita nos palcos brasileiros. "Vestido de noiva" é considerada até hoje como o marco inicial do moderno teatro brasileiro.

A consagração se seguiria com vários outros sucessos, transformando-o no grande representante da literatura teatral do seu tempo, apesar de suas peças serem taxadas muitas vezes como obscenas e imorais.

Em 1945 abandona "O Globo" e passa a trabalhar nos Diários Associados. Em "O Jornal", um dos veículos de propriedade de Assis Chateaubriand, começa a escrever seu primeiro folhetim, "Meu destino é pecar".

O sucesso do folhetim alavancou as vendas de "O Jornal" e estimulou Nelson a escrever sua terceira peça, "Álbum de família".

Em fevereiro de 1946, o texto da peça foi submetido à censura federal e proibido. "Álbum de família" só seria liberada em 1965.

Em abril de 1948 estreou "Anjo negro", peça que possibilitou a Nelson adquirir uma casa no bairro do Andaraí. Em 1949 Nelson lançou "Doroteia".

Em 1950 passa a trabalhar no jornal "Última Hora". Ali, Nelson começa a escrever as crônicas de "A vida como ela é", seu maior sucesso jornalístico.

Na década seguinte, Nelson passa a trabalhar na recém-fundada TV Globo, participando da bancada da "Grande Resenha Esportiva", a primeira mesa-redonda sobre futebol da televisão brasileira.

Em 1967 passa a publicar suas "Memórias" no mesmo jornal "Correio da Manhã" onde seu pai trabalhou cinquenta anos antes.

Nos anos 70, consagrado como jornalista e teatrólogo, a saúde de Nelson começa a decair, por causa de problemas gastroenteorológicos e cardíacos de que era portador.

O período coincide com os anos da ditadura militar, que Nelson sempre apoiou. Entretanto, seu filho Nelson Rodrigues Filho torna-se guerrilheiro e passa para a clandestinidade.

Neste período também aconteceu o fim de seu casamento com Elza e o início do relacionamento com Lúcia Cruz Lima, com quem teria uma filha, Daniela, nascida com problemas mentais.

Depois do término do relacionamento com Lúcia, Nelson ainda manteria um rápido casamento com sua secretária Helena Maria, antes de reatar seu casamento com Elza.

Nelson faleceu numa manhã de domingo, em 21 de dezembro de 1980, há exatos 30 anos, aos 68 anos de idade, de complicações cardíacas e respiratórias.

Foi enterrado no Cemitério São João Batista, em Botafogo. No fim da tarde daquele mesmo dia ele faria os treze pontos na Loteria Esportiva, num bolão com seu irmão Augusto e alguns amigos de "O Globo".

O CEDOC – Centro de Documentação da Funarte possui amplo acervo sobre o dramaturgo, como fotos de peças, programas das produções teatrais, resenhas e comentários sobre espetáculos teatrais, entre eles "Vestido de Noiva".

Boa parte dos registros fotográficos de peças do dramaturgo existentes no CEDOC foram feitos pelo Estúdio Foto Carlos e foram digitalizadas graças ao projeto Brasil Memória das Artes, incluindo registros de raridades, como uma participação de Nelson Rodrigues como ator.

Nélson Rodrigues escreveu dezessete peças teatrais. Sua edição completa abrange quatro volumes, divididos segundo critérios que agruparam as obras de acordo com suas características, dividindo-as em três grupos: Peças psicológicas, Peças míticas e Tragédias cariocas.


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

JOHN LENNON

John Lennon nasceu em Liverpool, a 9 de outubro de 1940, único filho de Alfred Lennon e Julia Lennon. Foi músico, compositor, escritor e ativista em favor da paz.

John estudou na Quarry Bank Grammar School em Liverpool, entre 1952 e 1957, onde ficou conhecido pelos seus desenhos e pelas suas mímicas.

Nessa escola, em 1956, ele fundou uma banda de rock chamada "The Quarrymen", formada por Pete Shotton, Eric Griffths (violão), Bill Smith (baixo improvisado), Rod Davis (banjo), além do próprio John Lennon (guitarra).

Ainda em 1956, Paul McCartney foi apresentado a John Lennon, após Paul ver "The Quarrymen" tocar em uma festa. Paul demonstrou suas habilidades como músico a John e foi convidado a entrar para a banda. Em 1957, Paul McCartney mostrou a John sua primeira composição, "I've Lost My Little Girl".

Em 1958, Rod Davis saiu do grupo e George Harrison ocupa seu lugar. Posteriormente, Stuart Sutcliffe também entra para a banda como baixista.

Ainda em 1958 eles gravaram em um disco de 78 rpm as canções "That'll Be the Day"(composição de Buddy Holly) e "In Spite of All the Danger" (composição de McCartney e Harrison).

Em 1960, a banda trocou de nome 5 vezes. Sutcliffe sugeriu o nome The Beatles (os besouros) em homenagem a banda The Crickets (os grilos), de Buddy Holly. Após uma turnê com Johnny Gentle na Escócia, eles mudaram definitivamente o nome para The Beatles.

John era um destaque na banda. Na época os Beatles passaram a ser formados por John Lennon (guitarra), Paul McCartney (guitarra), George Harrison (guitarra), Stuart Sutcliffe (baixo) e Pete Best (bateria).

Em 1961, os Beatles fizeram uma série de apresentações no Cavern Club de Liverpool. Gravaram em Hamburgo, na Alemanha, um disco acompanhando Tony Sheridan na canção "My Bonnie". Stuart acabou abandonando a banda para se casar com a alemã Astrid Kirchherr e não voltou mais a Liverpool.

Em 9 de maio de 1962 assinaram um contrato de gravação com a Parlophone Records. George Martin, o produtor musical dos Beatles, sugeriu que eles trocassem de baterista, o que foi feito com a entrada de Ringo Starr, também de Liverpool.

Finalizava-se então a formação dos Beatles com John Lennon (guitarra), Paul McCartney (baixo), George Harrison (guitarra) e Ringo Starr (bateria). Paul McCartney passou a tocar baixo após a saída de Stuart Sutcliffe.

Em 5 de outubro de 1962, os Beatles lançaram seu primeiro compacto com a canção "Love me do". E no dia 11 de fevereiro de 1963, em apenas um dia, gravaram seu primeiro álbum, "Please Please Me". Não demorou muito para os Beatles se tornarem um grande sucesso na Inglaterra.

Na primeira fase do grupo, John era responsável pela maioria das composições dos Beatles, mesmo elas sendo assinadas como dupla Lennon/McCartney. Era evidente sua liderança e maior produtividade musical na banda.

Devido à morte do empresário dos Beatles, Brian Epstein, em 1967, Paul começou a tomar o controle sobre a banda. O fracasso financeiro da Apple Corps, empresa criada pela banda, a presença constante de Yoko Ono nos estúdios de gravação e a procura conflituosa de um novo empresário, fizeram com que principalmente John e Paul tomassem lados opostos.

John Lennon foi casado com Cynthia Powell, e com ela teve um filho, Julian. Em 1966, conheceu a artista plástica japonesa Yoko Ono. Em 1968, Lennon e Yoko produziram um álbum experimental que causou controvérsia por apresentar o casal nu, de frente e de costas, na capa e contracapa. A partir deste momento, John e Yoko iniciariam uma parceria artística e amorosa.

Cynthia Powell pediu o divórcio no mesmo ano, alegando adultério. Em 1969, John e Yoko se casaram numa cerimônia privada no rochedo de Gibraltar. Usaram a repercussão de seu casamento para divulgar um evento pela paz, chamado de "Bed in", ou "John e Yoko na cama pela paz", como um resultado prático de sua lua-de-mel, realizada no Hotel Hilton, em Amsterdã.

Entretanto, durante as gravações, o clima entre os Beatles estava cada vez mais tenso. Em 10 de abril de 1970, Paul McCartney anunciou oficialmente o fim dos Beatles.
Logo após a separação, John deu uma entrevista à Revista Rolling Stone, onde ele mostrou ressentimentos relacionados a Paul McCartney e aos Beatles. Segundo ele, os Beatles tratavam com hostilidade Yoko Ono e quando Paul tomou o controle da banda, eles começaram a rodar em círculo.

Ainda no mesmo período, Lennon devolveu sua medalha de Membro do Império Britânico à Rainha Elizabeth, como uma forma de protesto contra o apoio da Grã-Bretanha à guerra do Vietnã, o envolvimento da Inglaterra no conflito de Biafra e "o fraco desenvolvimento de Cold Turkey nas paradas de sucesso".

Antes disso, John Lennon havia lançado outros dois álbuns experimentais, "Life with lions" e "Wedding album". Também lançara o compacto "Cold Turkey" e o disco ao vivo "Live peace in Toronto", creditados à banda "Plastic Ono Band", com a participação de Eric Clapton.

Pouco tempo depois, sai o primeiro disco solo de Lennon, após o fim dos Beatles: John Lennon/Plastic Ono Band, que contou com a participação de Ringo Starr, Yoko Ono e Klaus Voormann.

Durante a década de 70, John e Yoko envolveram-se em vários eventos políticos, como promoção à paz, pelos direitos das mulheres e trabalhadores e também exigindo o fim da Guerra do Vietnã.

Seu envolvimento com líderes da extrema-esquerda norte-americana, como Jerry Rubin, Abbie Hoffman e John Sinclair, além de seu apoio formal ao Partido dos Panteras Negras, deu início a uma perseguição ilegal do governo Nixon ao casal.

A pedido do Governo, a Imigração deu início a um processo de extradição de John Lennon dos EUA, que durou cerca de 3 anos, período em que John ficou separado de Yoko Ono por 18 meses, entre 1973 e 1975.

Após reconciliar-se com Yoko e vencer o processo de imigração, Lennon decidiu afastar-se da música para dedicar-se à criação de seu filho, Sean Taro Ono Lennon, nascido no mesmo dia de seu aniversário, em 1975.

O casal voltou aos estúdios em 1980 para gravar um novo álbum, "Double Fantasy", lançado em novembro. Era como um recomeço.

Porém, há exatamente 30 anos, em 8 de dezembro de 1980, John Lennon foi assassinado em Nova York por Mark David Chapman, quando retornava do estúdio de gravação junto com a mulher.

Dentre as composições de destaque de John Lennon estão Help!, Strawberry Fields Forever, All You Need Is Love, Revolution, Lucy in the Sky with Diamonds, Come Together, Across the Universe, Don't Let Me Down e Imagine.