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quinta-feira, 21 de julho de 2011

SALVADOR DE MENDONÇA

Salvador de Menezes Drummond Furtado de Medonça nasceu em Itaboraí, Rio de Janeiro, há exatos 170 anos, em 21 de julho de 1841.

Advogado, jornalista, diplomata e escritor, Salvador de Mendonça é um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e um dos idealizadores do Movimento Republicano no país.

Filho do Comendador Salvador Furtado de Mendonça (oriundo dos Açores) e de Amália de Menezes Drummond (de família escocesa), recebeu os primeiros ensinamentos com a mãe, aprendendo línguas, música e desenho, até seus doze anos.

Em 1853 foi para o Rio de Janeiro, então capital do Império.

Estudou no Colégio Marinho e no Curiácio, este último mantido pelo Barão de Tatuphoeus que, quando findou-lhe os estudos preparatórios, o levou até a presença do Imperador Pedro II, como prêmio por seu desempenho.

Manteve desde cedo amizade com Machado de Assis e Casimiro de Abreu, tendo conhecido também escritores mais velhos, como Joaquim Manoel de Macedo que, quando da fundação do Silogeu Brasileiro, haveria de escolher por seu patrono da cadeira 20.

Em 1859 ingressou na Faculdade do Largo de São Francisco, em São Paulo, a fim de cursar Direito.

Colabora na Revista Mensal do Ensaio Filosófico Paulistano e publica o poema Singairu, lenda das margens do Piraí, 1567, espécie de épico dos primórdios da História do Brasil.

Fundou, em 1860, junto a Teófilo Ottoni Filho, um jornal, chamado A Legenda, iniciando a carreira jornalística escrevendo críticas sociais e políticas.

Teria continuado este labor, não tivesse, ao final deste mesmo ano, perdido os pais e tendo de cuidar dos oito irmãos, dentre eles o futuro idealizador da Academia Brasileira de Letras, Lúcio de Mendonça.

Somente voltaria à capital paulista, para concluir o curso, no ano de 1867, graduando-se dois anos depois.

Colabora como redator no Diário do Rio de Janeiro, órgão pertencente a Saldanha Marinho.

Em 1861 casou-se com Amélia Clemência Lúcia de Lemos, sua primeira esposa.

Salvador de Mendonça entra para o magistério, lecionando latim, além de publicar em outros periódicos, como o Jornal do Commercio (fazendo crítica teatral) e o Correio Mercantil.

Escrevia, concomitantemente, suas peças teatrais.

Passa a lecionar História do Brasil no Colégio Pedro II, a convite do Marquês de Olinda, substituindo Manuel de Macedo, no ano de 1865.

De volta ao Rio, tendo finalmente bacharelado-se, exerce a advocacia ao lado de Saldanha Marinho, que já lhe dera apoio anteriormente e, com este, participa da fundação do Clube Republicano, do qual participou também Quintino Bocaiúva.

O Clube publica o Manifesto de 70, com um capítulo escrito por Salvador de Mendonça - Manifesto este que veio a desencadear no país o movimento republicano.

No jornal A República fizeram parte, também, Aristides Lobo, Lafayette Coutinho, Pedro Soares de Meireles e Flávio Farnense.

Durante alguns anos Mendonça foi tradutor, para a Casa Garnier e, em 1875, publicou aquele que seria seu único romance, intitulado Maraba - ano em que falece sua esposa e parte para os Estados Unidos, nomeado pelo Imperador Dom Pedro II cônsul em Baltimore.

Em 1876, Mendonça é promovido a Cônsul-Geral do Brasil nos Estados Unidos.

Em 1877 contrai segundas núpcias com a norte-americana Maria Redman.

Em 6 de julho de 1889 tinha sido enviado como ministro plenipotenciário do Brasil nos Estados Unidos, quando é proclamada a República.

Tendo sido um dos seus mais ardorosos defensores, além de um dos artífices do movimento, cuidou de fazer com que o novo regime fosse internacionalmente aceito, devendo a ele o rápido apoio norte-americano.

Continuou exercendo missões diplomáticas nos Estados Unidos, voltando a ter papel importante quando da Revolta da Armada, em 1893, assegurando a neutralidade daquele país.

Defendeu a imigração de chineses para o Brasil, ao tempo em que condenava a imigração alemã no sul.

Dedica-se à tradução e, perto de sua morte, tendo ficado cego, ainda escrevia artigos comentando a diplomacia brasileira e rememorando sua própria atuação em Washington.

O papel diplomático de Salvador de Mendonça é considerado crucial, por sua atuação junto à embaixada em Washington.

Com destaque para a consolidação das relações amistosas entre as duas nações, o tratado de comércio celebrado por seu intermédio em 1891 entre Brasil e Estados Unidos é tido como um marco deste relacionamento, junto à ampliação da presença naval.

Além de nomear diversos logradouros pelo país, o Colégio Estadual Salvador de Mendonça é uma das mais importantes e tradicionais escolas públicas de Itaboraí, sua terra natal.

Doou importante acervo de livros e documentos, que integram hoje o acervo da Biblioteca Nacional, em seção intitulada Coleção Salvador de Mendonça.

Seu papel na literatura brasileira é menos relevante.

Pouco antes de sua morte publicara Coisas do meu tempo e A situação internacional do Brasil, reunião de artigos que publicara em jornais.

Sua obra é centrada, essencialmente, na política e na crítica teatral e musical, publicada na imprensa, além da tradução de várias obras estrangeiras.

Seus poucos versos, a maioria deles ainda da época juvenil, afiliam-se ao romantismo, em sua fase final, embora já se notem a presença de elementos do naturalismo, retratando pessoas da terra e paisagens brasileiras.

No teatro sua obra mais famosa é o libreto da ópera Joana de Flandres, musicada por Carlos Gomes, fundamentado em seu próprio argumento, e que estreou a 15 de setembro de 1863.

Suas críticas teatrais eram consideradas exemplares e fundamentadas.

Quando da fundação do novo Silogeu, a 28 de janeiro de 1897, foi indicado para ocupar a cadeira de número 20 da Academia, que tem por patrono Joaquim Manuel de Macedo, como seu fundador, a quem coube escolher o nome do patrono, fazendo-o na pessoa do escritor que conhecera ainda na juventude.

Salvador de Mendonça faleceu aos 72 anos, em 5 de dezembro de 1913, no Rio de Janeiro.

Busto de Salvador de Mendonça em Itaboraí,
sua cidade natal, no estado do Rio de Janeiro.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

JEAN DE LA FONTAINE

Jean de La Fontaine foi um poeta e fabulista francês nascido em Château-Thierry, na França, há exatos 390 anos, em 8 de julho de 1621.

Filho de um inspetor de águas e florestas, estudou teologia e direito em Paris, mas seu maior interesse sempre foi a literatura.

Por desejo do pai, casou-se em 1647 com Marie Héricart.

Embora o casamento nunca tenha sido feliz, o casal teve um filho, Charles.

Em 1652, La Fontaine assumiu o cargo de seu pai como inspetor de águas, mas alguns anos depois colocou-se a serviço do ministro das finanças Nicolas Fouquet, mecenas de vários artistas, a quem dedicou uma coletânea de poemas.

Escreveu o romance "Os amores de psique e cupido" e tornou-se próximo dos escritores Molière e Racine.

Com a queda do ministro Fouquet, La Fontaine tornou-se protegido da Duquesa de Bouillon e da Duquesa d'Orleans.

Em 1668, foram publicadas as primeiras fábulas, num volume intitulado "Fábulas escolhidas".

O livro era uma coletânea de 124 fábulas, dividida em seis partes.

La Fontaine dedicou este livro ao filho do rei Luís XIV.

As fábulas continham histórias de animais, magistralmente contadas, contendo um fundo moral.

Escritas em linguagem simples e atraente, as fábulas de La Fontaine conquistaram imediatamente seus leitores.

Em 1683, La Fontaine tornou-se membro da Academia Francesa, a cujas sessões passou a comparecer com assiduidade.

Na famosa "Querela dos antigos e dos modernos", tomou partido dos poetas antigos.

Várias novas edições das "Fábulas" foram publicadas em vida do autor.

A cada nova edição, novas narrativas foram acrescentadas.

Em 1692, La Fontaine, já doente, converteu-se ao catolicismo.

A última edição de suas fábulas foi publicada 1693.

Antes de vir a ser fabulista, foi poeta, tentou ser teólogo e cafifa.

Além disso, também entrou para um seminário, mas aí perdeu o interesse.

La Fontaine é considerado o pai da fábula moderna.

Sobre a natureza da fábula declarou: “É uma pintura em que podemos encontrar nosso próprio retrato”.

Algumas fábulas escritas e reescritas por ele são "A lebre e a tartaruga", "O homem", "O menino e a mula", "O leão e o rato", e "O carvalho e o caniço".

Jean de La Fontaine faleceu em Paris, em 13 de abril de 1695, aos 73 anos

Seu corpo está sepultado no cemitério Père-Lachaise, em Paris, ao lado do dramaturgo Molière.

Jean de La Fontaine



Obs.: Após 235 dias de funcionamento, este é o post de número 500 do Blog!...

sexta-feira, 13 de maio de 2011

LIMA BARRETO

Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu no Rio de Janeiro, há exatos 130 anos, em 13 de maio de 1881.

Mais conhecido como Lima Barreto, foi um jornalista e um dos mais importantes escritores libertários brasileiros.

Filho de Joaquim Henriques de Lima Barreto (mulato nascido escravo) e de Amália Augusta (filha de escrava agregada), Lima Barreto, mulato num Brasil que mal acabara de abolir oficialmente a escravatura, teve oportunidade de boa instrução escolar.

Após a morte da mãe passou a frequentar a escola pública de D. Teresa Pimentel do Amaral.

Em seguida, passou a cursar o Liceu Popular Niteroiense, após o seu padrinho, o Visconde de Ouro Preto, concordar em custear sua educação.

Lá ficará até 1894, completando o curso secundário e parte do supletivo.

Em 1895, transferiu-se para a única instituição pública de ensino secundário da época, o conceituado Colégio Pedro II, cujos estudantes eram oriundos basicamente da elite econômica.

No ano de 1895 foi admitido no curso da Escola Politécnica, no Rio de Janeiro.

Porém, foi obrigado a abandoná-lo em 1904 para assumir o sustento dos irmãos, devido à loucura que afligiu o seu pai.

Tendo sido repetidamente reprovado por não se interessar muito pelas matérias - passava as tardes na Biblioteca Nacional -, deixou de graduar-se em Mecânica.

Data dessa época a sua entrada no Ministério da Guerra como amanuense, por concurso.

O cargo, somado às muitas colaborações em diversos órgãos da imprensa escrita, garantia-lhe algum sustento financeiro.

Não obstante, o escritor cada vez mais deixava-se consumir pelo alcoolismo e por estados emocionais caracterizados por crises de profunda depressão e morbidez.

Lima Barreto começou a sua colaboração na imprensa desde estudante, em 1902, no "A quinzena alegre", depois no "Tagarela", "O diabo", e na "Revista da Época".

Em jornais de maior circulação, começou em 1905, escrevendo no "Correio da Manhã".

Daí em diante, colaborou em vários jornais e revistas, como "Fon-fon", "Floreal", "Gazeta da Tarde", "Jornal do Commercio", "Correio da Noite", "A Noite", "A lanterna", "Brás Cubas" e "O mundo literário".
Em 1909 estreou como escritor de ficção, publicando, em Portugal, o romance "Recordações do escrivão Isaías Caminha".

A narrativa de Lima Barreto nesse primeiro livro, pincelada com indisfarçáveis traços autobiográficos, mostra uma contundente crítica à sociedade brasileira, por ele considerada preconceituosa e profundamente hipócrita.

Até mesmo os bastidores da imprensa opinativa são alvo de sua narrativa mordaz, inspirados na redação do "Cartas da Tarde".

Lima Barreto foi o crítico mais agudo da época da República Velha no Brasil, rompendo com o nacionalismo ufanista e pondo a nu a roupagem da República, que manteve os privilégios de famílias aristocráticas e dos militares.

Em 1911 começou a publicação, em formato de folhetins no "Jornal do Commercio" do Rio de Janeiro, de sua mais importante obra, "Triste fim de Policarpo Quaresma", que anos mais tarde (1915) foi editado em brochura e considerado pela crítica especializada como basilar no período do Pré-Modernismo.

Entre os leitores, as duas obras anteriormente citadas alcançaram algum êxito, o que não impediu que o autor sofresse severas críticas de outros escritores da época.

Baseavam-se elas no fato de Lima Barreto fugir, conscientemente, do padrão empolado de escrever que à época vigorava.

Chamavam-no "relaxado" por não usar o português castiço e utilizar uma linguagem mais coloquial, muito própria de quem militava na imprensa.

Incomodava também o fato de seus personagens não seguirem o molde vigente, que impunha limites à criação e exaltava determinadas características psicológicas.

Não à toa viu frustradas suas tentativas de ingressar na Academia Brasileira de Letras.

A respeito de seus impiedosos críticos e inimigos, Lima Barreto acusava-os de fazerem da literatura não uma arte e sim algo mecânico, uma espécie de "continuação do exame de português jurídico".

Simpático ao anarquismo, passou a militar na imprensa socialista.

Sua vida foi atribulada pelo alcoolismo e por internações psiquiátricas, ocorridas durante suas crises severas de depressão - à época era um dos sintomas pertencentes ao diagnóstico de "neurastenia", constante de sua ficha médica - vindo a falecer em 1 de novembro de 1922, aos 41 anos de idade.

Em 1993, retomando as pesquisas realizadas por Francisco de Assis Barbosa, biógrafo do autor e principal gestor da publicação póstuma de sua obra, Bernardo de Mendonça reuniu no livro "Um longo sonho do futuro" os seus principais textos confessionais, o "Diário íntimo" e o "Diário do hospício", a artigos de jornal e a correspondência ativa, para compor um grande painel autobiográfico deste escritor que, na interpretação de muitos de seus leitores, encarna um dos maiores e inquietantes exemplos, não só do desencontro entre arte e mercado, mas das iniquidades sociais na história brasileira.

Para Lima Barreto, escrever tinha finalidade de criticar o mundo circundante para despertar alternativas renovadoras dos costumes e de práticas que, na sociedade, privilegiavam pessoas e grupos.

Para ele, o escritor tinha uma função social.

Lima Barreto

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O TRIUNFO E A MINHA ALMA

"Há triunfos que só se obtêm pelo preço da alma

Mas a alma é mais preciosa que qualquer triunfo".

(Rabindranath Tagore)



Rabindranath Tagore, poeta, romancista, músico e dramaturgo indiano, vencedor do Nobel de Literatura em 1913, nasceu em Calcutá há exatos 150 anos, em 6 de maio de 1861.


Rabindranath Tagore

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O HOMEM E A CRIAÇÃO

"Ser homem é ter uma história, e não ser pura natureza. Ser homem é saber que o mundo não foi dado, mas que se cria".

Gabriel Celaya



O poeta espanhol Gabriel Celaya faleceu há exatos 20 anos, em 18 de abril de 1991.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

SIMONE DE BEAUVOIR

Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir, mais conhecida como Simone de Beauvoir nasceu em Paris, em 9 de janeiro de 1908.

Escritora, filósofa existencialista e feminista francesa, escreveu romances, monografias sobre filosofia, política, sociedade, ensaios, biografias e uma autobiografia.

Era a mais velha das únicas duas filhas de Georges Bertrand de Beauvoir, um advogado em tempo integral e ator amador, e Françoise Brasseur.

Desde pouca idade Beauvoir distinguiu-se nos estudos.

Dedicada completamente aos livros e à aprendizagem, Simone foi educada no Institut Adeline Désir, uma escola católica para meninas, algo que era desprezado pelos intelectuais da época.

As escolas católicas para meninas eram vistas como lugares onde as jovens aprendiam uma das duas alternativas abertas às mulheres: casamento ou um convento.

Aos 15, Beauvoir já havia decidido que seria uma escritora.

Depois de passar nos exames de bacharelado em matemática e filosofia, estudou matemática no Instituto Católico e literatura e línguas no Instituto Sainte-Marie.

Em seguida, estudou filosofia na Universidade de Paris (Sorbonne).

Lá, ela conheceu muitos outros jovens intelectuais, incluindo Maurice Merleau-Ponty, René Maheu e Jean-Paul Sartre.

Enquanto na Sorbonne, Maheu deu a Beauvoir o apelido que lhe acompanharia ao longo da vida, Castor, dado a ela por causa do forte trabalho ético do animal.

Em 1929 Beauvoir se tornou a pessoa mais jovem a obter o Agrégation na filosofia, e a nona mulher a obter este grau.

No exame final, ficou em segundo lugar; Sartre, 24 anos, foi o primeiro.

Logo uniu-se estreitamente ao filósofo e a seu círculo, criando entre eles uma relação polêmica e fecunda, que lhes permitiu compatibilizar suas liberdades individuais com sua vida em conjunto.

Na verdade, é difícil caracterizá-los como casal, porque viveram longas relações amorosas cada um com outras pessoas; Beauvoir, por exemplo, teve uma forte relação com o escritor norte-americano Nelson Algren logo após a guerra, e na década de 1950 manteve outra relação duradoura com Claude Lanzmann.

No verão, era comum Beauvoir e Lanzmann viajarem com Sartre e sua amante Michelle Vian, ex-esposa do escritor Boris Vian.

Foi professora de filosofia até 1943 em escolas de diferentes localidades francesas, como Rouen e Marseille.

As suas obras oferecem uma visão sumamente reveladora de sua vida e de seu tempo.

Em seu primeiro romance, "A convidada" (1943), explorou os dilemas existencialistas da liberdade, da ação e da responsabilidade individual, temas que abordou igualmente em romances posteriores como "O sangue dos outros" (1944) e "Os mandarins" (1954), obra pela qual recebeu o Prêmio Goncourt e que é considerada a sua obra-prima.

As teses existencialistas, segundo as quais cada pessoa é responsável por si própria, introduzem-se também em uma série de quatro obras autobiográficas, além de "Memórias de uma moça bem-comportada" (1958), destacam-se "A força das coisas" (1963) e "Tudo dito e feito" (1972).

Entre seus ensaios críticos cabe destacar "O Segundo Sexo" (1949), uma profunda análise sobre o papel das mulheres na sociedade; "A velhice" (1970), sobre o processo de envelhecimento, onde teceu críticas apaixonadas sobre a atitude da sociedade para com os anciãos; e "A cerimônia do adeus" (1981), onde evocou a figura de seu companheiro de tantos anos, Sartre.

Simone de Beauvoir faleceu há exatos 25 anos, em 14 de abril de 1986, aos 78 anos, em Paris.

Simone de Beauvoir

sexta-feira, 8 de abril de 2011

BASÍLIO DA GAMA

José Basílio da Gama nasceu em São José do Rio das Mortes, depois São José d'El Rei, hoje cidade de Tiradentes, Minas Gerais, há exatos 270 anos, em 8 de abril de 1741.

Poeta, estudou no Colégio dos Jesuítas, no Rio de Janeiro.

Quando, em 1759, Gomes Freire de Andrade, 1º. Conde de Bobadela, ordenou fechar o colégio, Basílio da Gama manteve-se fiel à sua vocação jesuítica e seguiu para Roma, à procura do apoio da Igreja para a sua fé.

Entre os anos de 1760 e 1766, foi admitido, graças ao poeta Michel Giuseppe Morei, na Arcádia Romana, com o pseudônimo de "Termindo Sipilio".

O fato de um poeta da colônia ter sido admitido em uma agremiação tão importante quanto a Arcádia Romana pressupõe que ele teria sido recomendado pelo clero jesuítico português.

Em 1768 volta ao Brasil, retornando em seguida à Europa, para Coimbra.

Nesta ocasião foi detido em Lisboa, acusado de simpatia para com os jesuítas.

Em troca da liberdade, prometeu às autoridades ir viver em Angola.

Logo em seguida, buscando evitar o degredo, capitulou diante do poder exercido pelo futuro Marquês de Pombal, responsável direto pela perseguição aos jesuítas.

Basílio escreveu então um epitalâmio, dedicado à filha do Marquês, exaltando-o, vindo a cair, em 1769, nas graças deste.

No mesmo ano foi publicado poema épico "O Uraguay", dedicado a Francisco Xavier de Mendonça Furtado, irmão de Pombal, onde se percebe o intuito de agradar o homem forte de Portugal daquele tempo.

Folha de rosto de "O Uraguay".

Além dos guerreiros portugueses, os Guaranis são tratados de maneira positiva pelo autor, cabendo unicamente aos jesuítas o papel de vilões, por serem contrários à política pombalina, retratados como interessados em ludibriar os indígenas.

Por essa época estreita-se a sua ligação com Pombal, de forma que se torna oficial administrativo e secretário deste.

Com a queda política de seu protetor, Basílio passou a sofrer perseguições políticas, sendo obrigado a se deslocar da Corte para a Colônia do Brasil e vice-versa, como forma de se livrar de arbitrariedades cometidas contra si.

Faleceu em Lisboa, em 31 de julho de 1795, tendo sido sepultado na Igreja da Boa Hora.

Basílio da Gama é o patrono da Cadeira no. 4 da Academia Brasileira de Letras, por escolha do fundador Aluísio Azevedo.

Basílio da Gama

quinta-feira, 31 de março de 2011

RENÉ DESCARTES

René Descartes nasceu em La Haye en Touraine (atual Descartes), na França, há exatos 415 anos, em 31 de março de 1596.

Filósofo, físico e matemático francês, foi também conhecido durante a Idade Moderna por seu nome latino Renatus Cartesius.

Notabilizou-se sobretudo por seu trabalho revolucionário na filosofia e na ciência, mas também obteve reconhecimento matemático por sugerir a fusão da álgebra com a geometria - fato que gerou a geometria analítica e o sistema de coordenadas que hoje leva o seu nome.

Por fim, ele foi uma das figuras-chave na Revolução Científica.

Descartes, por vezes chamado de "o fundador da filosofia moderna" e o "pai da matemática moderna", é considerado um dos pensadores mais importantes e influentes da História do Pensamento Ocidental.

Inspirou contemporâneos e várias gerações de filósofos posteriores; boa parte da filosofia escrita a partir de então foi uma reação às suas obras ou a autores supostamente influenciados por ele.

Muitos especialistas afirmam que a partir de Descartes inaugurou-se o racionalismo da Idade Moderna.

Décadas mais tarde, surgiria nas Ilhas Britânicas um movimento filosófico que, de certa forma, seria o seu oposto - o empirismo, com John Locke e David Hume.

Aos oito anos, Descartes ingressou no colégio jesuíta Royal Henry-Le-Grand, em La Flèche.

O curso durava três anos, tendo Descartes sido aluno do Padre Estevão de Noel.

Descartes reconheceu que lá havia certa liberdade, no entanto no seu "Discurso sobre o método" declara a sua decepção, não com o ensino da escola em si, mas com a tradição Escolástica, cujos conteúdos considerava confusos, obscuros e nada práticos.

Em carta a Mersenne, diz que "os Conimbres são longos, sendo bom que fossem mais breves. Crítica, aliás, já então corrente, mesmo nas escolas da Companhia de Jesus".

Descartes esteve em La Flèche por cerca de nove anos (1606-1615).

Prosseguiu depois seus estudos graduando-se em Direito, em 1616, pela Universidade de Poitiers.

No entanto, Descartes nunca exerceu o Direito, e em 1618 alistou-se no exército do Príncipe Maurício de Nassau, com a intenção de seguir carreira militar.

Mas se achava menos um ator do que um espectador: antes ouvinte numa escola de guerra do que verdadeiro militar.

Conheceu então Isaac Beeckman, que o influenciou fortemente e compôs um pequeno tratado sobre música intitulado Compendium Musicae (Compêndio de Música).

Também é dessa época (1619-1620) o Larvatus prodeo (Ut comœdi, moniti ne in fronte appareat pudor, personam induunt, sic ego hoc mundi teatrum conscensurus, in quo hactenus spectator exstiti, larvatus prodeo).

Esta declaração do jovem Descartes no preâmbulo das Cogitationes Privatae (1619) é interpretada como uma confissão que introduz o tema da dissimulação, e, segundo alguns, marca uma estratégia de separação entre filosofia e teologia.

Jean-Luc Marion, em seu artigo Larvatus pro Deo: Phénoménologie et théologie refere-se à abordagem dionisíaca do homem escondido diante de Deus (larvatus pro Deo) como justificativa teológica do filósofo que avança mascarado (larvatus prodeo).

Em 1619, viaja até a Alemanha, onde, no dia 10 de novembro, teve uma visão em sonho de um novo sistema matemático e científico.

Em 1622 ele retorna à França passando os anos seguintes em Paris.

Em 1628 compõe as Regulae ad directionem ingenii (Regras para a Direção do Espírito) e parte para a Holanda, onde viverá até 1649.

Em 1629, começa a redigir o Tratado do Mundo, uma obra de Física na qual aborda a sua tese sobre o heliocentrismo.

Porém, em 1633, quando Galileu é condenado pela Inquisição, Descartes abandona seus planos de publicá-lo.

Em 1637, publica três pequenos tratados científicos: "A Dióptrica", "Os Meteoros" e "A Geometria", mas o prefácio dessas obras é que faz seu futuro reconhecimento: o Discurso sobre o método.

Em 1641, aparece sua obra filosófica e metafísica mais imponente: as Meditações Sobre a Filosofia Primeira, com os primeiros seis conjuntos de Objeções e Respostas.

Os autores das objeções são: do primeiro conjunto, o teólogo holandês Johan de Kater; do segundo, Mersenne; do terceiro, Thomas Hobbes; do quarto, Arnauld; do quinto, Gassendi; e do sexto conjunto, Mersenne.

Em 1642, a segunda edição das Meditações incluía uma sétima objeção, feita pelo jesuíta Pierre Bourdin, seguida de uma Carta a Dinet.

Em 1643, o cartesianismo é condenado pela Universidade de Utrecht.

Descartes inicia a sua longa correspondência com a Princesa Isabel, filha mais velha de Frederico V e de Isabel da Boêmia.

A correspondência dura sete anos, até a morte do filósofo, em 1650.

Também no ano de 1643, Descartes publica "Os Princípios da Filosofia".

Em 1644, faz uma visita rápida à França, onde encontra Chanut, o embaixador francês junto à corte sueca, que o põe em contato com a Rainha Cristina da Suécia.

Nesta ocasião, Descartes teria declarado que o Universo é totalmente preenchido por um "éter" onipresente.

Assim, a rotação do Sol, através do éter, criaria ondas ou redemoinhos, explicando o movimento dos planetas, tal qual uma batedeira.

O éter também seria o meio pelo qual a luz se propaga, atravessando-o pelo espaço, desde o Sol até nós.

Em 1647 Descartes é premiado pelo Rei da França com uma pensão e começa a trabalhar na Descrição do Corpo Humano.

Entrevista Frans Burman em Egmond-Binnen (1648), resultando na Conversa com Burman.

Em 1649, vai à Suécia, a convite da Rainha Cristina.

Seu Tratado das Paixões, que ele dedicou a sua amiga Isabel da Boêmia, fora publicado.

René Descartes morreu de pneumonia no dia 11 de fevereiro de 1650, aos 53 anos, em Estocolmo, onde estava trabalhando como professor a convite da Rainha.

A vila no vale do Loire onde ele nasceu foi renomeada La Haye-Descartes e, posteriormente, já no final do século XX, Descartes.

O pensamento de Descartes é revolucionário para uma sociedade feudalista em que ele nasceu, onde a influência da Igreja ainda era muito forte e quando ainda não existia uma tradição de "produção de conhecimento".

Aristóteles tinha deixado um legado intelectual que o clero se encarregava de disseminar.

Foi um dos precursores do movimento racionalista e defendeu a tese de que a dúvida era o primeiro passo para se chegar ao conhecimento.

Descartes viveu numa época marcada pelas guerras religiosas entre Protestantes e Católicos na Europa - a Guerra dos Trinta Anos.

Viajou muito e viu que sociedades diferentes têm crenças diferentes, mesmo contraditórias.

Aquilo que numa região é tido por verdadeiro, é considerado ridículo, disparatado e falso em outros lugares.

Descartes viu que os costumes, a história de um povo, sua tradição cultural influenciam a forma como as pessoas pensam naquilo em que acreditam.

Descartes é considerado o primeiro filósofo moderno.

A sua contribuição à epistemologia é essencial, assim como às ciências naturais por ter estabelecido um método que ajudou no seu desenvolvimento.

Descartes criou, em suas obras "Discurso sobre o método" e "Meditações" as bases da ciência contemporânea.

O método cartesiano consiste no Ceticismo Metodológico - que nada tem a ver com a atitude cética: duvida-se de cada ideia que não seja clara e distinta.

Ao contrário dos gregos antigos e dos escolásticos, que acreditavam que as coisas existem simplesmente porque precisam existir, ou porque assim deve ser etc., Descartes instituiu a dúvida: só se pode dizer que existe aquilo que puder ser provado, sendo o ato de duvidar indubitável.

Baseado nisso, Descartes busca provar a existência do próprio eu (quem duvida, portanto, é sujeito de algo - ego cogito ergo sum - eu que penso, logo existo) e de Deus.

Em relação à Ciência, Descartes desenvolveu uma filosofia que influenciou muitos, até ser superada pela metodologia de Newton.

Ele sustentava, por exemplo, que o universo era pleno e não poderia haver vácuo.

Acreditava que a matéria não possuía qualidades secundárias inerentes, mas apenas qualidades primárias de extensão e movimento.

Ele dividia a realidade em "res cogitans" (consciência, mente) e "res extensa" (matéria).

Acreditava também que Deus criou o universo como um perfeito mecanismo de moção vertical e que funcionava deterministicamente sem intervenção desde então.

Matemáticos consideram Descartes muito importante por sua descoberta da geometria analítica.

Até Descartes, a geometria e a álgebra apareciam como ramos completamente separados da Matemática.

Descartes mostrou como traduzir problemas de geometria para a álgebra, abordando esses problemas através de um sistema de coordenadas.

A teoria de Descartes forneceu a base para o Cálculo de Newton e Leibniz, e então, para muito da matemática moderna.

Isso parece ainda mais incrível tendo em mente que esse trabalho foi intencionado apenas como um exemplo no seu "Discurso Sobre o Método".

René Descartes

sexta-feira, 18 de março de 2011

JACQUES TURGOT

Anne Robert Jacques Turgot nasceu em Paris, em 10 de maio de 1727.

Economista francês, sua obra é considerada um elo entre a fisiocracia e a escola britânica de economia clássica.

Estudou na Universidade de Sorbonne, indo trabalhar em seguida na administração real.

Grande admirador dos pensadores iluministas que formaram a primeira escola de economia científica, tornou-se um adepto da fisiocracia.

Como intendente de Limonges (a partir de 1761), aplicou com grande sucesso uma série de medidas destinadas à racionalizar a economia.

Defendeu o livre comércio e a interdepêndencia entre as diferentes classes econômicas.

Pelo sucesso, foi nomeado Ministro-Geral das Finanças do rei Luís XVI de França em 1774.

Porém, suas ideias de reforma econômica liberal despertaram a ira do clero e da nobreza, pois lhes tiravam certas mordomias e privilégios.

Sob pressão, Luis XVI é obrigado a demitir-lhe em 1776, menos de dois anos após subir ao cargo.

Jacques Necker o sucederia, em 1778.

Suas principais obras são os livros: Lettres sur la tolérance civile (1754), Réflexions sur la formation et la distribution des richesses (1766) e Lettres sur la liberté de commerce des grains (1770).

Jacques Turgot faleceu em Paris, há exatos 230 anos, em 18 de março de 1781.

Jacques Turgot

domingo, 23 de janeiro de 2011

DARWIN, BETHÂNIA, A VIDA, O AMOR E O NÃO IDENTIFICADO...

Hoje voltei de um passeio à João Pessoa.

Passeio rápido.

Fui ontem de manhã.

Voltei agora à tarde.

Ainda ontem fui à praia.

Estive em seguida na Estação Ciência.

Lá, vi escrito um pensamento que me chamou atenção.

Pensamento Darwiniano.


"Um homem que ousa desperdiçar uma hora do seu tempo

Ainda não descobriu o valor da vida".



À noite, ainda ontem.

Show de Maria Bethânia.

Na praia de Tambaú.

Encantei-me com Bethânia cantando uma música.

"Não identificado", de Caetano Veloso.

"Eu vou fazer

Uma canção pra ela

Uma canção singela..."

Nunca tinha visto a interpretação desta música ao vivo.

Achei divina!...

Logo depois Chico César sobe ao palco.

Ambos cantam.

Ambos numa mesma performance.

"Como esta noite findará?...

...Se a voz da noite silenciar

Raio de sol vai me levar

Raio de sol vai lhe trazer..."

Fui dormir após o show.

Hoje ao amanhecer.

Choveu em João Pessoa.

Raios de sol?

Contemplei apenas na chegada à rodoviária.

Foi a primeira vez que pude ver o sol hoje.

Às duas horas da tarde.

O bilhete de passagem de número dezoito.

Peguei entre os três que eu podia pegar.

Dentro do ônibus, aquela que estava ao meu lado...

Pouco falou.

Dormiu.

Observei.

Leve, sutil, delicada, feminina...

Unhas bem pintadas.

Cílios bem destacados.

Um bonito vestido.

Pés descalços...

Pareceu-me sentir um leve frio.

Uma doçura, tive essa impressão.

Escutei música.

Tinha um lápis em meu bolso.

Lembrei-me do pensamento de Charles Darwin.

Não podia desperdiçar aquela hora do meu tempo.

Escrevi algo no meu bilhete de passagem.

Ao meu lado nada se ouvia...

Ao chegar em Recife, escutei-a.

Natalense.

Pesquisadora.

Historiadora.

Voz e dicção muito bonitas.

Muitíssimo educada.

Chegamos ao ponto de descida.

Pude então realizar o meu desejo.

Queria entregá-la o que eu havia escrito.

Gostaria de obter um contato seu.

Quem sabe?...

Foram aqueles raios de luz que me trouxeram...

Ou será que me levaram?

Ainda não sei a resposta.

O que eu posso afirmar agora.

É que...

O que está escrito naquele bilhete de passagem...

É algo suficiente para não me tornar.

Um objeto não identificado...

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

CÍRCULO VICIOSO DA ECONOMIA *

O delicado momento da economia nacional, com inflação e gastos públicos crescentes e exagerada valorização do real, exige respostas rápidas e firmes do governo.

O Banco Central tem feito sua parte.

Na última sexta-feira, anunciou o aumento dos depósitos compulsórios (reserva de dinheiro que os bancos são obrigados a manter na instituição).

O adicional, de quatro pontos percentuais, deverá retirar R$ 61 bilhões do mercado.

A redução da liquidez é medida complementar à política monetária no enfrentamento da alta nos preços e deve contribuir, por tabela, para elevação menos substancial das taxas de juros.

Importante é que as diferenças entre o presidente do BC, Henrique Meirelles, de saída do cargo, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmado na equipe da presidente eleita, Dilma Rousseff, não criem ruídos para a estabilidade do sistema econômico e a definitiva colocação do país no rumo do desenvolvimento sustentável.

Enquanto o primeiro se mostra temeroso com a volta da inflação, o segundo manifesta menos apreensão.

Para o ministro, embora em ascensão, a taxa está dentro da meta de 4,5% fixada para este ano, com margem de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

É fato, mas também é verdade que o índice se aproxima do teto, devendo fechar 2010 em 6%.

Um dos mais importantes avanços do país na área econômica, o controle da inflação merece tolerância zero.

Por seu lado, o governo tem que ter igual cuidado na escolha do medicamento e na definição do tamanho da dose que decida ministrar.

A Selic já está em 10,75% ao ano (resultando no juro real mais alto do mundo), com tendência a chegar ao fim de 2011 em 12%.

Apenas essa perspectiva faz subirem as taxas, antecipando os custos danosos do encarecimento do dinheiro na economia.

Observe-se que a crise cambial tem criado dificuldades extras na competição dos produtos brasileiros no mercado internacional.

Some-se a isso o aumento das importações e o tempo fecha para a indústria nacional.

Apesar dos pesares, o horizonte do setor para o próximo ano ainda é de expansão.

Mas os sacrifícios impostos à iniciativa privada por uma conjunção de fatores, que vão da precária infraestrutura do país ao excesso de burocracia, de impostos e de contribuições, precisam ser aliviados com urgência pelo governo.

Nesse aspecto, a redução da liquidez é uma faca de dois gumes.

Se, por um lado, ajuda a combater a inflação, por outro dificulta os investimentos.

Ou seja, atrapalha a produção, reduzindo a oferta, o que termina por alimentar a alta dos preços.

O país somente resolverá a difícil equação e desatará o nó do crescimento com política fiscal séria e a realização das reformas sempre adiadas, em especial a tributária.

São premissas para expandir os investimentos, dos quais também se depende para solucionar as deficiências, sobretudo na área de energia e transportes.

A receita do Banco Central não basta.

Enquanto os gastos públicos se mantiverem em curva ascendente, ela precisará ser replicada, num círculo vicioso que pouco contribuirá para inserir o Brasil no PrimeiroMundo.

* Editorial publicado hoje no Diario de Pernambuco.

sábado, 1 de janeiro de 2011

PAZ!

O ano novo chegou.

2011 traz muitas esperanças.

O passado cristaliza-se no aprendizado.

Aprendizado no Amor.

Aprendizado no Trabalho.

Aprendizado com as Amizades.

Eu queria ter um ano novo melhor.

O primeiro desejo que busco é a Paz.

Paz de espírito.

Paz dos dias.

Paz na vida.

2010 me trouxe muitos dias de Paz.

A Paz de uma companheira.

É algo indescritível nos dias de um homem.

A Paz de seus amigos.

Fá-lo sentir um ser social.

A Paz de sua família.

Faz senti-lo seguro em seus dias.

Paz.

Nos últimos dias deste ano.

Eu não tive a tão sonhada Paz.

A Paz companheira se foi.

E deixou uma marca muito profunda.

Em meu coração que deseja tanta Paz.

Paz.

É o meu grande desejo nesse momento.

Quero Paz.

Saúde.

Desejo que ela me acompanhe.

Pelo resto dos meus dias esteja ao meu lado.

Também espero tê-la comigo em 2011.

O restante do que desejo.

Permanecerei correndo atrás.

Gostaria muito de não ser mais magoado.

Sei que é impossível.

Gostaria muito de não mais magoar.

Também sei que é inalcançável.

Mas nessa virada de ano.

Irei me inspirar na busca da Paz.

Na busca da Paz para mim.

E ainda na busca da transmissão da Paz.

Para aquele que olha para mim.

Para aquele que me conhece.

Para aquele que fala comigo.

Desejo dias de Paz.

E que você viva essa Paz ao meu lado...

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

VERÍSSIMO: PENSAMENTO E CORAÇÃO

"Precisamos dar um sentido humano às nossas construções. E, quando o amor ao dinheiro, ao sucesso, nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu." (Érico Veríssimo).

Érico Veríssimo nasceu em Cruz Alta, Rio Grande do Sul, em 17 de dezembro de 1905, há 105 anos...

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

TENTE OUTRA VEZ!...

Depois de algum tempo você aprende a diferença...

A sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.

E você aprende que amar não significa apoiar-se.

E que companhia nem sempre significa segurança.

E começa a aprender que beijos não são contratos.

E presentes não são promessas.

E começa a aceitar suas derrotas.

Com a cabeça erguida e olhos adiante.

Com a graça de um adulto.

E não com a tristeza de uma criança.

E aprende a construir todas as suas estradas no hoje.

Porque o terreno do amanhã.

É incerto demais para os planos.

E o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de um tempo você aprende.

Que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.

E aprende que não importa o quanto você se importe.

Algumas pessoas simplesmente não se importam...

E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa.

Ela vai feri-lo de vez em quando.

E você precisa perdoá-la por isso.

Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobre que se leva anos para se construir confiança.

E apenas segundos para destruí-la.

E que você pode fazer coisas em um instante.

Das quais se arrependerá pelo resto da vida.

Aprende que verdadeiras amizades.

Continuam a crescer mesmo a longas distâncias.

E o que importa não é o que você tem na vida

Mas quem você tem na vida.

E que bons amigos.

São a família que nos permitiram escolher.

Aprende que não temos que mudar de amigos.

Se compreendemos que os amigos mudam.

Percebe que seu melhor amigo e você.

Podem fazer qualquer coisa, ou nada.

E terem bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas.

Com quem você mais se importa na vida.

São tomadas de você muito depressa.

Por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos.

Com palavras amorosas.

Pode ser a última vez que as vejamos.

Aprende que as circunstâncias e os ambientes.

Têm influência sobre nós.

Mas nós somos responsáveis por nós mesmos.

Começa a aprender.

Que não se deve comparar com os outros.

Mas com o melhor que pode ser.

Descobre que se leva muito tempo.

Para se tornar a pessoa que quer ser.

E que o tempo é curto.

Aprende que não importa onde já chegou.

Mas onde está indo.

Mas se você não sabe para onde está indo.

Qualquer caminho serve.

Aprende que, ou você controla seus atos.

Ou eles o controlarão.

E que ser flexível não significa ser fraco.

Ou não ter personalidade.

Pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação.

Sempre existem dois lados.

Aprende que heróis são pessoas.

Que fizeram o que era necessário fazer.

Enfrentando as conseqüências.

Aprende que paciência requer muita prática.

Descobre que algumas vezes.

A pessoa que você espera que o chute quando você cai.

É uma das poucas que o ajudam a levantar-se.

Aprende que maturidade.

Tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve.

E o que você aprendeu com elas.

Do que quantos aniversários você celebrou.

Aprende que há mais dos seus pais em você.

Do que você supunha.

Aprende que nunca se deve dizer a uma criança.

Que sonhos são bobagens.

Poucas coisas são tão humilhantes.

E seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando está com raiva.

Tem o direito de estar com raiva.

Mas isso não te dá o direito de ser cruel.

Descobre que só porque alguém não o ama.

Do jeito que você quer que ame.

Não significa que esse alguém.

Não o ama com tudo o que pode.

Pois existem pessoas que nos amam.

Mas simplesmente não sabem.

Como demonstrar ou viver isso.

Aprende que nem sempre é suficiente.

Ser perdoado por alguém.

Algumas vezes você tem que aprender.

A perdoar-se a si mesmo.

Aprende que com a mesma severidade com que julga.

Você será em algum momento condenado.

Aprende que não importa.

Em quantos pedaços seu coração foi partido.

O mundo não pára para que você o conserte.

Aprende que o tempo.

Não é algo que possa voltar para trás.

Portanto, plante seu jardim e decore sua alma.

Ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.

E você aprende que realmente pode suportar...

Que realmente é forte.

E que pode ir muito mais longe.

Depois de pensar que não se pode mais.

E que realmente a vida tem valor.

E que você tem valor diante da vida!

Nossas dúvidas são traidoras.

E nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar.

Se não fosse o medo de tentar...

(William Shakespeare)

EU TENTEI...

terça-feira, 30 de novembro de 2010

MEUS PENSAMENTOS

"Tenho pensamentos que

Se pudesse revelá-los

E fazê-los viver

Acrescentariam

Nova luminosidade às estrelas

Nova beleza ao mundo

E maior amor ao coração dos homens."

Fernando Pessoa
  
Fernando Pessoa morreu em 30 de novembro de 1935, há 75 anos...