sábado, 19 de março de 2011

SARKOZY DIZ QUE FORÇAS AÉREAS ESTÃO EM AÇÃO NA LÍBIA *

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, alertou neste sábado que a comunidade internacional já está aplicando a resolução do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) que estabelece uma zona de exclusão aérea na Líbia, mas ressaltou que o ditador Muammar Gaddafi ainda tem tempo de desistir da ação militar contra os rebeldes da oposição.

"Nossos aviões já estão prevenindo ataques na cidade de Benghazi", disse Sarkozy, acrescentando que estão "preparados" para intervir também contra tanques de guerra.

Mais cedo, fontes militares disseram que vários caças franceses sobrevoam neste sábado o território líbio, no que seria uma missão de reconhecimento.

Os caça Rafale teriam decolado no início da tarde deste sábado (manhã em Brasília), da base de Saint Dizier (leste de Paris), onde estavam estacionados.

Segundo as fontes, citadas pela agência de notícias France Presse, essas missões de reconhecimento deverão durar toda a tarde de sábado e, até o momento, não encontraram nenhuma resistência.

Após uma reunião com líderes de mais de 20 países, Sarkozy disse em breve pronunciamento que todos decidiram aplicar efetivamente a resolução, aprovada há dois dias.

Ele ressaltou, contudo, que a medida que permite a intervenção militar visa a proteger o direito dos civis de protestar pacificamente e não decidir o rumo do país africano.

"Juntos decidimos garantir a aplicação da resolução do Conselho de Segurança exigindo o cessar-fogo imediato e o fim da violência", disse Sarkozy.

"Concordamos em usar todos os meios necessários, em particular os meios militares, para garantir a decisão".

Em meio a relatos de autoridades francesas de que um ataque no país é iminente, Sarkozy afirmou que a intervenção "acontecerá enquanto houver qualquer pressão de Gaddafi contra Benghazi", reduto dos rebeldes que está sob ataque aéreo e terrestre das forças do ditador neste sábado.

O presidente francês reconheceu que Gaddafi descumpriu o cessar-fogo, declarado pelo próprio governo líbio, mas ressaltou que ainda há tempo de evitar uma maior ação internacional no território.

"Gaddafi ainda tem tempo de recuar e se submeter à resolução", disse o francês.

"As portas da diplomacia estarão abertas quando a violência parar".

Diante do fantasma da ocupação no Iraque, Sarkozy fez questão de ressaltar que a intenção da comunidade internacional é proteger os civis líbios e seu direito de protestar pela libertação "da escravidão à qual estão submetidos há muito tempo".

Ele garantiu que a comunidade internacional não vai interferir na escolha do futuro da Líbia, decisão que cabe unicamente ao seu povo.

"A luta pela liberdade é deles. Nossa intervenção não é por qualquer resultado específico, mas apenas para evitar crimes" contra os civis, disse Sarkozy.

"Estamos intervindo pelo povo, para que possam escolher seu próprio destino. Seus direitos não podem ser anulados pela repressão e violência".

Mais cedo neste sábado, as forças rebeldes derrubaram um avião militar de Gaddafi, que bombardeava os arredores de Benghazi, deixando uma nuvem de fumaça negra.

Um repórter da Associated Press viu o avião cair, em meio ao som de artilharia.

Montagem mostra momento em que avião das forças de Gaddafi é derrubado nos arredores de Benghazi.


Os jovens de Benghazi reagiam como podiam.

Alguns recolhiam garrafas para fazer coquetéis Molotov.

Outros moradores usavam estrado de camas e pedaços de metal para bloquear as estradas e impedir o avanço das tropas por terra.

A rede de TV CNN relata, contudo, que a batalha por terra já começou, com tanques dos dois lados chegando cada vez mais próximos.

O porta-voz do governo, Ibrahim Musa, negou a queda do avião, apesar das fotos registradas pelas agências internacionais.

Ele também negou que as forças do governo atacaram cidades líbias e disse que são os rebeldes que violam o cessar-fogo.

"Nossas forças armadas continuam a regredir e se esconder, mas os rebeldes continuam nos atacando e nos provocando", disse Musa.

A rede de TV Al Arabyia registra também bombardeios das forças de Gaddafi contra os rebeldes em Zintan e disse que ao menos cinco morteiros caíram em seus arredores.

Antes da declaração de Sarkozy, Gaddafi alertou, via um porta-voz, que qualquer intervenção internacional na Líbia será uma "clara agressão".

"Isto é injustiça, isto é uma clara agressão", disse Gaddafi, em uma carta enviada à ONU, à França e ao Reino Unido.

"Vocês também vão se arrepender se tomarem um passo para interferir nos nossos assuntos internos", continuou Gaddafi.

Segundo o porta-voz, Gaddafi enviou ainda uma carta separada aos Estados Unidos, na qual disse que todos os líbios estão preparados para morrer pelo país.

O ditador reverte assim as declarações de seu chanceler, Moussa Koussa, que foi a público menos de 24 horas atrás dizer que a Líbia aceitava a resolução da ONU e decretava assim cessar-fogo imediato e a interrupção de todas as operações militares.

* Publicado no UOL às 12:09 hs.

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